Quando pequeno, eu tinha curiosidade sobre os deuses gregos, embora ainda não soubesse que seus nomes denominavam deuses e, muito menos, que eles eram gregos.
Só tomei contato com a literatura da Grécia antiga quando fiz Poemas Hesiódicos, uma disciplina na faculdade de letras da USP. O nome da disciplina vem de Hesíodo, contemporâneo de Homero e autor de "Teogonia" e de "O Trabalho e os Dias - o primeiro, li na tradução de José Alves Torrano e o segundo, na de Mary de Camargo Neves Lafer.
Hesíodo era um aedo - alguém que cantava estórias épicas acompanhado por um músico tocando algum instrumento, provavelmente de cordas. Não se sabe se ele foi letrado, mas é muito provável que não, ja que a poesia nasceu oral em todos os cantos onde é praticada.
Gênese divina
Na Teogonia (theos + gonos), Hesíodo fala sobre a origem dos deuses gregos e, assim, desenvolve uma cosmogonia baseada em deuses que evoluem de entes da natureza (como Urano e Gaia) a seres corpóreos e inteligentes, capazes de dolo e justiça (como os deuses olímpicos).
As estórias cruzam quatro gerações de divindades, mas três são as mais relevantes. Os passos definidores começam com Crono, que derruba seu pai Urano e se torna o rei dos titãs. Crono cortou o pênis do pai porque ele abusava de sua mãe Gaia; ela escondeu Crono em suas entranhas e, quando o pai se deitava sobre a mãe Terra, zap! – foi "ceifado".
Porém, Crono não foi um pai melhor: engolia todos os seus filhos, por receio de uma profecia sobre um filho que provocaria sua queda. Esta precaução não surtiu efeito, pois seu filho mais velho, Zeus, foi escondido por Gaia (sempre ela) até de crescesse para realizar seu destino olímpico.
Zeus arregimentou seus irmãos e divindades mais antigas contra Crono e sua turminha da pesada e, por 10 anos, guerreou na Titanomaquia. Os deuses olímpicos venceram a batalha, e mandaram os titãs para o Tártaro - embora alguns titãs tenham ficado de fora, por serem aliados dos deuses.
Esta era de golpes de primogênitos é encerrada com o estabelecimento do reinado de Zeus no Olimpo. Ele é o prenúncio de uma nova era de justiça e equilíbrio para todos e, posteriormente, será o criador das raças de homens.

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Escreve que eu prometo não ler.