sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Steve Jobs, o inimigo nº1 da cooperação


Uma outra visão sobre a morte de Steve Jobs. Tirei daqui.


A morte de Steve Jobs, o inimigo número um da colaboração


Steve Jobs morreu, após anos lutando contra um câncer que nem mesmo todos os bilhões que ele acumulou foram capazes de conter. Desde ontem, após o anúncio de seu falecimento, não se fala em outra coisa. Panegíricos de toda sorte circulam pelos meios massivos e pós-massivos. Adulado em vida por sua genialidade, é alçado ao status de ídolo maior da era digital. É inegável que Jobs foi um grande designer, cujas sacadas levaram sua empresa ao topo do mundo. Mas há outros aspectos a explorar e sobre os quais pensar neste momento de sua morte.
Jobs era o inimigo número um da colaboração, o aspecto político e econômico mais importante da revolução digital. Nesse sentido, não era um revolucionário, mas um contra-revolucionário. O melhor deles.
Com suas traquitanas maravilhosas, trabalhou pelo cercamento do conhecimento livre. Jamais acreditou na partilha. O que ficou particularmente evidente após seu retorno à Apple, em 1997. Acreditava que para fazer grandes inventos era necessário reunir os melhores, em uma sala, e dela sair com o produto perfeito, aquele que mobilizaria o desejo de adultos e crianças em todo o planeta, os quais formam filas para ter um novo Apple a cada lançamento anual.
A questão central, no entanto, é que o design delicioso de seus produtos é apenas a isca para a construção de um mundo controlado de aplicativos e micro-pagamentos que reduz a imensa conversação global de todos para todos em um sala fechada de vendas orientadas.
O que é a Apple Store senão um grande shopping center virtual, em que podemos adquirir a um clique de tela tudo o que precisamos para nos entreter? A distopia Jobiana é a do homem egoísta, circundado de aparelhos perfeitos, em uma troca limpa e “aparentemente residual”, mediada por apenas uma única empresa: a sua. Por isso, devemos nos perguntar: era isso que queríamos? É isso que queremos para o nosso mundo?
Essa pergunta torna-se ainda mais necessária quando sabemos que existem alternativas. Como escreve o economista da USP, Ricardo Abramovay, em resenha sobre o novo livro do professor de Harvard Yochai Benkler The Penguin and the Leviathan, a cooperação é a grande possibilidade deste nosso tempo.
“Longe de um paroquialismo tradicionalista ou de um movimento alternativo confinado a seitas e grupos eternamente minoritários, a cooperação está na origem das formas mais interessantes e promissoras de criação de prosperidade no mundo contemporâneo. E na raiz dessa cooperação (presente com força crescente no mundo privado, nos negócios públicos e na própria relação entre Estado e cidadãos) estão vínculos humanos reais, abrangentes, significativos, dotados do poder de comunicar e criar confiança entre as pessoas.”
Colaboração: essa, e não outra, é a palavra revolucionária. E Jobs não gostava dela.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

"Rembering that you will be dead soon..."

Today, I write to homage someone I have admired for the past 10 years.

You ought to know who is, as he is dead now. Steve Jobs, the inspiring leader of many inventors/designers from not only Apple but the whole world.

His vision of elegant design was about simplifying, while making it appealing and pleasant to use. Nobody could do better - and if they did, either Apple would buy the company who did it or they would develop similar however better features in their own interfaces.

I practical terms, for example, instead of being able to customize an iphone like you can do with an android, you USE it. It’s the convenience for the non-expert combined with a relevant “stylish existence” you start belonging to after buying one of the Apple’s products - in almost a religious fashion.

The way Steve Jobs had dealt with the improvement of the company’s devices, his mastering in the art of making them the foremost desirable things on earth, the design of a new business model for culture distribution and lots of other tiny details of Apple’s business, combined with huge pressure on its employees, have made what the company is today.

Whilst astonishing our feeble consumer minds, Steve had not taught us much more than have manipulated us into consumerism delightment. However, what I understand from his public life is: the world is here to be designed and redesigned the way we want it.

Remarkable human being, this Jobs. Rest in peace.

domingo, 13 de março de 2011

Zero leitores (eu mesmo apenas), estou de volta aos pouquinhos...

Mudei-me de cidade e tenho trabalhado regularmente - algo que, se dissessem há algum tempo sobre mim, outrem faria chacota. Tantas coisas por fazer, controles financeiros regulares, estudando inglês again, now with a difficult goal: adquirir o CPE, Certificate of Proficiency in English, o mais difícil exame de proficiência da Universidade de Cambridge (Segundo um gráfico que vi, mais difícil que o Ielts).

Eu achava que sabia pra caralho de inglês, porque leio (como quase todo jornalista americanizado) o new york times todo dia e acompanho o noticiário especializado em tecnologia:

NYTimes - todo gratuito!


Após duas aulas na Cultura Inglesa de Santos, percebi que não sei usar apropriadamente os tempos com have - o present perfet sem pestanejar em substituição ao past simple. Se os dois pudessem ser usados da mesma forma - como passé composé = passé simple no francês - um não seria formado por PRESENT adjetivado. É a ignorância de uma nuance razoavelmente declarada na classificação do tempo da forma verbal. No caso, o past simple determina uma ação terminada num momento específico (ou simplesmente terminada); já o present perfect fala de uma ação começada num tempo passado, mas que pode ter se alongado até o presente - ou seja, NUNCA usar o past simple assim "I worked here since 1998". burroburroburro se fizer isso.

Ainda por cima, que porra, como erro testes na aula! Tipo quase 40% de erro!!! Muito Red Bull e coco bola + pizza + nozes hei de de comer para matar este CPE com very good grade.

Saltando para outro assunto pessoal, armários. Comprei com ajuda dos pais armários para a cozinha, que devem chegar em breve (minha cozinha só tem prateleiras acumulado pó). Passamos uma semana discutindo como seriam os armários, consultei 2 marceneiros e uma loja de móveis modulados, para juntar o melhor com modificações minhas mandar fazer em penápolis. Vai sair no mínimo R$ 500 mais barato, contando já com transporte e instalação.

Em termos de novidades, fiz uma primeira aula de muay thai com uma luva comum (literalmente usada por todos os iniciantes). Cara, minha mão fedia chulé, o chão emborrachado fedia a chulé. No entando, a aula foi divertida. Só acho ruim não ter a escolha de fazer no começo do dia, antes do trabalho (tipo umas 6h.

Nesta semana, também saiu a primeira versão impressa feita inteiramente por mim do Jornal do Porto de Santos (na verdade, da CODESP). Foi sofrido para alguém vaidoso como eu ter tantas dificuldades para fazer um jornal institucional, para público interno, de 4 páginas. Só não fiz as fotos, mas o resto dos textos layout, sim. Depois posto a capa escaneada por aqui.

E uma coisinha legal: atualizei ontem meu telefone (um galaxy 5) com o android 2.2. Testei hoje a função roteador wifi. DEMAIS. ok, sou um capipira pq não tinha visto isso ainda funcionando, mas é mto legal usar o fone como roteador pro ipod num, onibus ou no poupa tempo - o ipod touch tem uma experiência de navegação ridiculamente melhor que o galaxy 5, primo pobre do galaxy S.

Vejam que há bastante coisa acontecendo, por isso a pequena dedicação ao blog.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Trivialismos

Um poema de uns anos.

Trivialismos

Sou um .
Como tantos outros Zés
Me deram o nome de Alexandre,
Achando que eu seria Grande

Às vezes, me dá um estalo
E eu imagino como seria
Ser um grande economista
Mas eu tenho tanta preguiça...
E o mundo precisa de mais um?

Eu queria apenas ser artista
sentir e estar de forma ímpar
Saber-se sem igual no meio mundo
Não é isso que quer todo mundo?

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Ilíada - lida afinal

“Parece-me que Hesíodo e Homero, quanto à idade, foram mais velhos do que eu em quatrocentos anos, e não mais. Eles são os que compuseram teogonia para os gregos, deram os nomes aos Deuses, distinguiram-lhes honras e artes, e indicaram suas figuras.”

Heródoto II, 53. Da contracapa de Tegonia, tradução de Jaa Torrano.

Há 10 anos guerreiam aqueus e troianos quando do início da Ilíada. A longa e extenuante batalha está em seus momentos decisivos, que precedem a queda da cidade de Tróia (Ílion, em grego).

LEIA EM VOZ ALTA:
“A ira, Deusa, celebra do Peleio Aquiles,
O irado desvario, que aos Aqueus tantas penas
trouxe, e incontáveis almas arrojou no Hades
de valentes, de heróis, espólio para os cães
pasto de aves rapaces: fez-se a lei de Zeus;
desde que por primeiro a discórdia apartou
o Atreide, chefe dos homens, e o divino Aquiles.”
(começo da Ilíada de Haroldo de Campos)

Em nenhum momento, o poema narra a tomada da pólis troiana pelos argivos vencedores; o canto final chega a descrever o funeral de Heitor, o melhor filho de Ílion - prenúncio do fim da cidade.

Este encerramento do poema antes da invasão leva a duas constatações: a morte gloriosa de Aquiles, que concretiza a profecia de sua mãe Tétis sobre uma vida rápida e eternizada na batalha sangrenta entre os homens, não está presente. É vastamente conhecida a versão da flecha no "tendão de Aquiles", disparada por Páris Alexandre (um honorável covarde na Ilíada); na Ilíada, o que se tem é a certeza de que Aquiles morrerá durante a conquista de Tróia, mas a morte não é narrada.

A segunda constatação, também consequência da ausência da invasão: não há cavalo de Tróia na Ilíada.

Aquiles de pés velozes
Aquiles, o herói maior da estória – viril, dominador, um super-homem no sentido nietzscheano da expressão – havia recebido como espólio de outra guerra uma garota como escrava, Briseida. O rei dos reis, Agamémnon, tomou-a para si, e desde então Aquiles se negara a combater em prol dos Argivos, Dânaos e Aqueus (Aquiles é rei dos Mirmidões, aliados de Agamémnon e Menelau, irmãos-reis). É importante saber que o que Aquiles sente por Briseida é afeição, em oposição ao puro desejo carnal de Agamemnon, o que pode sugerir que um tem mais valor humano que o outro por sentir emoções mais nobres.

Pela maior parte da Ilíada assim fica Aquiles, na sua cabana na praia, sem participar da guerra, enquanto sangue é derramado dos dois lados do confronto . E quando escrevo sangue, não é por força de expressão: a Ilíada é um livro de guerra, e esta é sanguinária e mortal numa miríade de maneiras.

Morte de Pândaro (p.113):
“Assim falando, atirou a lança. E Atena guiou-a até o nariz,
entre os olhos de Pândaro. Penetrou através dos alvos dentes.
O bronze renitente cortou a língua pela raiz e a ponta
da lança saiu por baixo, pela base do queixo.”

Morte de Dólon, espião dos troianos (p. 213):
“Falou; e Dólon estava prestes a tocar-lhe no queixo
com a mão firme para suplicar, mas no meio do pescoço
com a espada lhe deferiu Diomedes um golpe e cortou os tendões;
e a cabeça de Dólon proferia ainda sons ao bater na terra.”

Por mais que amigos de Aquiles, companheiros seus de batalha, os quais ele respeitava, fossem intervir em nome de Agamémnon, ele não arredava o pé. Mesmo quando o rei dos reis oferece devolver Briseida e ainda pagar uma imensa indenização em ouro e bois, Aquiles não toma partido dos argivos, tamanho é seu orgulho ferido – proporcional à importância do herói na definição dos rumos da narrativa. Sua participação é fundamental para os povos sob o comando de Agamemnon e seu irmão Menelau tomarem a cidade de Tróia.

“There’s no pacts between wolves and lambs”
Aquiles (Brad Pitt) em Troy

“Tal como entre leões e homens não há fiéis juramentos,
Nem entre lobos e ovelhas existe concordância,
Mas sempre estão mal uns com os outros –
Assim entre ti e mim não há amor, nem para ambos
haverá juramentos, até que um ou outro tombe morto,
para fartar com seu sangue Ares, portador do escudo de touro.”
(trecho da Ilíada de Frederico Lourenço)

Este é Aquiles gritando com Heitor, no momento em que Heitor propõe a não-profanação de seus corpos, não importa quem ganhe a batalha. Aquiles estava muito chateado pela morte de Pátroclo, escudeiro e companheiro de Aquiles – “o amigo que ele de longe mais amava”.

Pátroclo entrara no combate a mando de Aquiles, com as armas do próprio. Aquiles só decide entrar na guerra no décimo oitavo canto, de XIV totais, após a morte de Pátroclo.

Heitor, além de príncipe de Tróia, é um modelo de nobreza atemporal. Ele vive cenas domésticas enternecedoras para os padrões de virilidade da Ilíada e é mostrado como um marido fiel e pai dedicado. Mais: ele tem apenas uma esposa, enquanto homens poderosos têm diversas esposas, como seu pai.

Esta existência exemplar será encerrada pelo maior dos heróis. A entrada de Aquiles no conflito define a estória como a conhecemos. O herói se engaja no combate num momento de desesperança para os invasores, que parecem estar diante de uma cidade inabalável (Tróia) e lutando contra um defensor invencível (Heitor).

Com armas novas, feitas pelo deus Hefesto, deus coxo artesão – as antigas tinha sido apropriadas por Heitor, na ocasião da morte de Pátroclo - Aquiles entra no combate que eternizará seu nome por derrotar o maior dos troianos. Não é pouco. Durante a Ilíada inteira, percebe-se que ninguém é páreo para Heitor e, portanto, só Aquiles conseguiria mandá-lo pro Hades.

Mesmo nobre e valoroso, Heitor é dragado e despedaçado pela fúria caprichosa de Aquiles - o que pode sugerir, embora vagamente, que tipo de homem era um vencedor na Grécia Antiga. Talvez a Ilíada inteira seja uma moldura para este embate,o maior dos séculos.

Após a matá-lo, Aquiles arrasta o corpo de Heitor preso ao carro de cavalos, que só não sofre danos porque esta protegido pelos deuses. Um trecho de um discurso do deus Apolo ilustra didaticamente este perfil sanguinário:

"Mas é ao feroz Aquiles, ó deuses, que quereis favorecer:
ele a quem faltam pensamentos sensatos e um espírito
moldável no peito. Como um leão, só quer saber de selvagerias:
um leão que encorajado pela sua estatura e força e altivo coração se atira aos rebanhos dos homens, para arrebatar a refeição"

O deus Apolo criticava o favorecimento de Aquiles por Zeus na luta contra Heitor, e a profanação do corpo do oponente. Ainda assim, o cruel Aquiles cede ao pai de Heitor, o rei Príamo, quando ele o procura, ensandecido pela morte do filho (o velho chegara a passar esterco no corpo).

Aquiles estabelece então uma trégua de 12 dias para os jogos entre os aqueus (vencedores) e, do lado de Tróia, para as honras fúnebres de Heitor, "domador de cavalos". O livro termina aí, momentos antes de Tróia ser tomada e depredada. Após o fim, Odisseu (Ulisses), que lutava ao lado de Aquiles e Agamemnon, levará ainda 10 anos para conseguir voltar para casa. Delineia-se a Odisséia, o outro grande (gigante) poema de Homero.

Febo Apolo flechicerteiro
Se há um motivo muito forte para ler a Ilíada, não é por que "sob certo ponto de vista, nenhum outro livro que se lhe tenha seguido conseguiu superá-lo”, como diz a contracapa da tradução de Frederico Lourenço.

A razão é bem bem mais simples: é o PRIMEIRO livro da história da literatura ocidental. É a causa primeva, que inicia algo que nunca aconteceria se não inciado e que nunca mais deixou de ser feito - a causa sem a qual não haveria efeito algum.

Além disso, milhões de expressões/séries/filmes/gibis/artigos/games e, obviamente, livros, fazem referências veladas ou não a acontecimentos/personagens do épico. Não dá pra ignorar a influência cruzando séculos em obras de arte variadas - de representações em vasos a blockbusters.

Em português, há diversas traduções. A recomendada pela Professora Giuliana Ragusa, do Departamento de Letras Clássicas, para a disciplina Poesia Épica: Homero, é a de Haroldo de Campos (seu início foi transcrito no começo do post).

Se lida em voz alta, variando-se o tom de voz, o ritmo+sonoridade parecem um melodioso canto feito para botar em transe. A que li começa assim:

“Canta, ó deusa, a cólera de Aquiles, o Pelida
(mortífera!, que tantas dores trouxe aos Aqueus
E tantas almas valentes de heróis lançou no Hades,
Ficando seus corpos como presa para cães e aves
De rapina, enquanto se cumpria a vontade de Zeus),
Desde o momento em que primeiro se desentenderam
O Atrida, soberano dos homens, e o divino Aquiles.”

Esta é tradução de Frederico Lourenço, melodiosa e com rimas singelas, um pouco mais “fácil” do que a de Haroldo – que segundo a própria introdução do Professor Frederico, foi a que mais se aproximou do sopro homérico original, “a despeito de suas miríficas (admiráveis) excentricidades”. Quando lida em voz alta, parece mais pobre em termos sonoros que a de Haroldo – mas é prazerosa (nem sempre, ;)) de se ler no papel.

Acho que, para quem vai encarar os deuses e seus caprichos ou preferências pela primeira vez, a de Frederico Lourenço é mais adequada. E, se você não tem interesse em comprar um livro novo, pode acessar a tradução de Manuel Odorico Mendes  aqui – ela está em domínio público. Não li, mas sei que é a mais difícil de ser lida, por sua estrutura sintática e neologismos.

As questões em torno da obra

São muitas questões suscitadas pela Ilíada. Existiu um Homero? E este teria composto a Odisséia? Ela era sempre foi escrita e lida ou era recitada por gerações consecutivas até que alguém fez um registro escrito? A guerra de tróia realmente existiu? De que tempo Homero fala?

Não responderei a nenhuma delas porque, afinal, eu tenho uma vida fora do computador. Mas sugiro que, se interessar, pode-se começar a investigá-las pelo básico - lendo a Wikipedia. Depois, o livro O Mundo de Homero, de Pierre Vidal-Naquet.

Ah, claro. Leia também a Ilíada.

domingo, 7 de novembro de 2010

A Grécia antiga não me deixa em paz 2: Os trabalhos e os dias


"O Trabalho e os Dias", também de Hesíodo, deixa as estórias de sucessão e poder divinos para concentrar-se na explicação da condição humana - e expõe o que há de responsabilidade dos deuses nessa condição.

O livro pode ser divido em duas partes. A segunda trata de orientações de cultivo da terra;  supõe-se que Hesíodo era um agricultor e cantava para agricultores, em oposição a Homero, que tinha poemas mais sofisticados e longos, e cantava para aristocratas urbanos.

A primeira parte tem pequenas estórias moralizantes e uma das estórias mais importantes da cultura ocidental, definidora da humanidade que se seguiria a ela - nascendo, comendo, sendo escravizada por suas fomes (alimentar e sexual), trabalhando, adoecendo e morrendo. Não vou comentar aqui sobre a estória das 5 raças de homens; recontarei a mais importante - obviamente, escolhida de forma arbitrária :).

Zeus e um Titã que gostava muito da humanidade, Prometeu (pro= antes; metis = visão), deviam partilhar um boi sacrificado para definir quais partes concerniam aos homens e quais, aos deuses.

Por sua predileção, Prometeu armou um embuste para Zeus, cobrindo as carnes e as banhas com a pele do estômago do boi e, assim, disfarçando a parte nobre da caça. Depois, ofereceu a Zeus os ossos revestidos de gordura, o que os fez parecer muito mais atraentes que o "estômago", apesar de não serem comestíveis.

Zeus, como era de se esperar do MAIOR dos seres viventes, ficou puto, e privou os homanos do fogo celestial (o relâmpago). Prometeu planejava e agia rápido, e roubou o fogo celestial de Zeus (escondido) para dá-lo aos homens, de forma que eles se aquecessem no frio, cozinhassem a carne ou iluminassem a noite.

Zeus, que lá do Olimpo dava um look pra miséria terrena (naquele momento, bem menos miserenta, pois a terra-nutriz tudo provia, sem necessidade de cultivo), vê um bando de vagabundo (uma palavra desprovida de significado à época, já que o trabalho inexistia) bêbado dançando ao redor da fogueira e pensa: raios! roubaram meu fogo!

Ele já sacava quem fora o espertinho, e ofereceu um presente ao irmão de Prometeu, Epimeteu. Prometeu já alertara seu irmão a nunca aceitar presente algum de Zeus, mas ele não se lembrou disso - pois Epimeteu é aquele que só vê depois que a merda aconteceu (epi = depois).

O presente de Zeus era irrecusável , para qualquer mortal ou titã: uma mulher com pele sedosa e cabelos de deusa, olhos de deusa, perfume de deusa e vestes de deusa, cada detalhe pensado por um deus olímpico. Ela trazia não uma caixa, mas um jarro, e quando da aceitação de Epimeteu, inclinou o jarro e fez fluir pela terra todos os males que a humanidade enfrenta desde sempre: envelhecimento, morte, doença e impulsos sexuais que escravizam o homem à sua própria mulher.

Ela foi a primeira de seu gênero.

Seu nome, Pandora.






















Pandora em versão "Heavy Metal"

Theogony, the movie

Looks like crap.