sábado, 10 de outubro de 2009

BLOG SUSPENSO

Amigosh, eu to terminando faculdade. Então, volto quando acabar de verdade.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

O culto ao amador - Andrew Keen

"For me, the way to become a citizen is to learn about the world, and one does not learn about the world with self expression, one learns about the world from listening to experts"

"I'm a meritocrat. I believe that people that are skilled and worked hard to achieve things should be rewarded for that"


O nobre amador, esta figura que povoa a internet mais extensamente que a cana, Penápolis, é o alvo de Andrew Keen, historiador inglês e autor de uma polêmica contra a web 2.0.

Eu disse isso? Não, não tem nada a ver, o Keen mesmo é um empreendedor web.

A polêmica é contra os macacos por trás de milhões de blogs e verbetes da wikipedia, que transformam a web 2.0 numa fonte pouco confiável como referência de pesquisa escolar de 1o grau - imagine, entào, para pesquisa acadêmica ou jornalística.

As críticas de Andrew Keen não são direcionadas às tecnologias que a web 2.0 desenvolveu - as quais considera revolucionárias e libertárias, muitas delas -, mas ao seu uso por pessoas de referências intelectuais pobres e de parco (ou nulo) talento. São nobres amadores que publicam e escrevem, produzem música ruim e vídeos toscos, num volume tal que somos afogados numa enchente de tosquices não-intencionalmente toscas; quase sempre, sem conseguir atracarmo-nos a uma ilha de criatividade, talento e inteligência.

Não é só  isso: o compartilhamento de arquivos na internet (filmes e música) e notícia gratuita estão assassinando as gravadoras e a mídia tradicional. E ninguém ganha dinheiro com isso na internet - quem tem sonhos de ser compositor e ganhar a vida com canções terá uma vida muito muito mais dura daqui para frente, e construir uma carreira baseada nisso será improvável.

Andrew Keen fala que os empreendedores do Vale do Silício (da web 2.0) são evangelizadores anti-establishment. Parece que ele tem razão, quando vemos Jimmy Walles (fundador da Wikipedia) falar neste documentário, a partir do minuto 17, que "frequentemente, o garoto de 17 anos está certo e o professor (especialista) está errado". Ou então quando o mesmo Mr. Walles fala sobre Larry Sanger, co-fundador da Wikipedia, que saiu do projeto porque "He tends to be more old-fashioned, academic about all this thing". Ou seja, demonstra um desprezo atroz à dedicação ao estudo de um determinado assunto, quando provavelmente o que alimenta os postadores anônimos e compulsivos da Wikipedia são pesquisas destes cientistas "que muitas vezes estão errados".

A internet colaborativa: um maravilhoso mundo onde não há barreiras meritocráticas; anônimo, anti-elitista e igualitarista ao extremo. Bom? Um monte de pessoas que procurarão se fundamentar na Wikipedia, por exemplo, poderão "tomar decisões e acreditar em coisas que são opiniões imaturas, com verdades personalizadas" (são opiniões combinadas de Andrew Keen e Larry Sanger, no mesmo documentário).

Keen preocupa-se com o rumo da civilização democrática dentro deste paradigma libertário. Onde vão parar reportagens investigativas, sem dinheiro nem estrutura institucional para produzi-las - ou defender seus jornalistas produtores processados por poderosos?

Eu e amigos sempre tivemos o sonho de viver de música, mas percebemos que nenhuma nova banda independente razoavelmente conhecida (que toca pelo Brasil todo em festivais), consegue. É outro resultado da revolução digital, tratado por Mr. Keen no campo da pirataria digital - são pessoas que colocam seu esforço, dinheiro, tempo, energia, para produzir música e filmes e não conseguem viver disso, apesar da notoriedade online.

Acredito que Andrew tem razão sobre o uso das ferramentas online ser um problema ético e civilizacional, pois tira empregos e, em consequencia, a vida de muitas pessoas. Não pagamos mais por coisas que costumávamos pagar, e o dinheiro vai para onde?

Ele fala de muitos outros aspectos a revolução digital, como o caso do buscador da AOL que teve seus registros roubados e publicados na internet, acabando com a privacidade de diversas pessoas que postavam seus questionamentos mais íntimos por lá. O crescimento Big Bang e de estrutura monopolista do Google é tratado por Keen como resultado desse culto da inovação e da expressão pessoal do amador. E é para lá que vai o dinheiro drenado de outras indústrias: anúncios online direcionados a públicos muito específicos, rastreados por sotwares-robôs em nossos gmails e buscas na internet. Ou no Youtube, Facebook e Myspace.

No Brasil, acho que a possibilidade de publicar sua versão dos fatos ajuda muito os movimentos sociais sem voz na mídia tradicional - o que é comum, com os maiores jornais e revistas do país quase inteiramente voltados para um candidato ou com muitos veículos de mídia na mão de políticos. Nos EUA, é uma pena que NYtimes  perca cada vez mais assinantes pagantes e publicidade, (o que o faz cortar partes de seu staff), pois é um jornal muito bom.

Se você tiver muito interesse no assunto, encare este vídeo de 1h, que é o discurso de lançamento do livro no Google Author's. Caso queira ver mais sintetizado, assista abaixo um trecho de entrevista de Andrew Keen:



Aproveite e leia o New York Times na internet. É de graça, ;).

terça-feira, 6 de outubro de 2009

JCVD: O FILME



Jean-Claude Van Damme, como todos sabemos, é um astro belga de filmes de ação holiwoodianos com roteiro meia boca, em franca decadência.

...MAS... ...tenho que admitir: lembro com carinho de O Grande Dragão Branco:




Só que vendo agora este vídeo, vejo que o "com carinho" é porque eu não lembrava direito do filme. As cenas de luta tangenciam o ridículo e a atuação é pífia. E Street Fighter com Raul Julia no papel de M. Bison (que também fez Chico Mendes)? Street Fighter é um vexame discreto: Raul julia deu um pouco de dignidade a um personagem que deveria continuar apenas 2d, respondendo aos comandos de um joystick.

Ok, Jean Claude Van-Damme é um ator limitado, pouco cool e um ser humano embrutecido :). 

Mas, em 2008, os ventos mudaram: ele atuou numa ficção baseada em sua própria vida (ou sua "escorregadela da ladeira"). Dirigido pelo franco-algeriano Mabrouk El Mechri (fã de Van Damme), o filme trata de alguns episódios recentes da vida de JC, como a perda da guarda do filho (transformado em filha no filme por questões legais), a grana minguando e papéis cada vez piores que seu agente arruma nos filmes.


Não dá pra dizer que é arrebatador, mas é demasiadamente humano ver Jean-Claude Van Damme ser o que é: um cara comum que queria ser uma estrela de cinema. Só isso. O trailer por si é muito legal:


sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Parado meliante!

Eu to muito ansioso por aqui, com o tcc e provas de trainees diversas. E postando nesse blog, que é meu exercício de texto diário - e de paciência para vcs, que, por algum acaso, caiam por aqui.


Mas ontem...

Ontem, dirigi de São Paulo até Penápolis, casa de meus pais.

No meio do caminho, fui parado numa estação da Polícia Rodoviária. Disse um boa noite, e o “guarda”perguntou se não poderia pegar carona com uma voz engraçadamente simpática.

Se eu imaginasse a história inacreditável que ele iria me contar, eu teria oferecido carona antes dele pedir. Eu disse: "se você não se incomodar de ir ouvindo heavy metal e música japonesa... Ele gostava de rock, e não se incomodou de seguir ouvindo yon yén e, depois, Rooooooots, Blooooody roooots!

Eu contava que estorei o carter do carro do meu pai há anos, passando rapidamente em cima de um bueiro bem elevado. Foi assim: o carro acabara de passar por uma valeta; a carcaça do carro fez um movimento que acompanhou a baixada da valeta, e subiu após ultrapassá-la e, por inércia, desceu de novo, dando uma porrada na tampa do bueiro, exatamente onde fica o carter. Enfim, chegamos no colégio com o carro cheio de fumaça (fumegando) saindo ao redor.

O guarda, para continuar o assunto, falou despretenciosamente que ah, aquelas curvas de nível de plantação também estragam o carter. Eu falei nossa, como assim, vc deu um rolê num morro de plantation?
"Sabe o que é, eu e meu parceiro estávamos perseguindo um Astra. Começou quando demos um sinal de luz e o Astra começou a acelerar; toquei a sirene duas vezes (*ueou*; *ueou*) e o cara acelerou mais. Ele começou a correr muito e saiu da pista pra grama da propriedade do lado da pista. Aceleramos o que pudemos – a traseira do carro saía do chão e o carro voava a cada morro. Sabe aquele frio na barriga que se sente quando, hum... Eu disse, quando rodamos o carro, por ex; isso, ele disse, multiplica por mil e fica contínuo. Apesar do calor, vc sua gelado e o “frio na barriga”não passa. É muito louco!"

A essa altura – e antes da descrição da perseguição – ele já me contara que ele e o parceiro renderam oish meliante, algemaram e descobriram um monte de armas debaixo do banco traseiro, além de 120 kg de maconha escondidos em todos os forros do carro – portas, teto, porta-luvas, frente. O olho brilha num dia desses!, segundo o policial.

Isso aconteceu alguns dias antes dos ataques do PCC às cadeias de SP.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Ambientalismo no Brasil – o passado

Peguei um livrinho, editado em 1997 que se chama “Ambientalismo no Brasil – Passado, presente e futuro” como parte da pesquisa de meu TCC . Os trechos que cito abaixo são todos deste livro.

 Ele traz exposições e debates ocorridos num seminário de 1996, organizado pela Secretaria do Meio Ambiente do estado de São Paulo (comandada por Fábio Feldmann na época) e pelo Instituto Socioambiental (com financiamento do FINEP).

No livro, há informações surpreendentes, como o fato do ambientalismo ser velho velho e não ter nascido nos países industrializados, mas sim na periferia global (colônias). Na Índia, a preocupação ambiental surgiu entre funcionários da Companhia das Índias, que temiam pela escassez dos recursos que exploravam na colônia inglesa. Um relatório de 1864 da East India Company já estabelecia relações de causa e conseqüência entre desflorestamento, erosão do solo e mudanças climáticas locais. O sentido da preocupação com a “sustentabilidade” era de explorar com mais longevidade.

No Brasil, num sentido oposto, a preocupação ambiental surgiu entre os críticos do sistema colonial. José Bonifácio, em 1823, articulava o seguinte raciocínio apocalíptico (que, segundo o professor da UFRJ José Agusto Pádua, não se via em nenhum lugar do mundo àquela época):

“(...) Nossos montes vão se escalvando diariamente e, com o andar do tempo, faltarão as chuvas fecundantes que favorecem a vegetação e alimentam nossas fontes e rios, sem o que nosso belo Brasil, em menos de dois séculos, ficará reduzido aos desertos da Líbia e virá então esse dia terrível e fatal em que a ultrajada Natureza se ache vingada de tantos erros e crimes cometidos.”

Joaquim Nabuco (o monarquista abolicionista) escreveu sobre esgotamento da fertilidade dos solos do Rio de Janeiro em 1883. Euclides da Cunha foi um opositor da monocultura e da mineração que retalhava e degradava a terra.

Por fim, o inspirador de diversas instituições e órgãos de Estado posteriores: Alberto TorresNa segunda década do século XX, ele já dizia coisas como “Não tendo apreendido a feição orgânica do progresso [nós, brasileiros], nos encanta a ilusão de que a forma atual do desenvolvimento dos países mais adiantados representa o estado superior da evolução humana. O interesse humano não está, entretanto, na perpetuação dos costumes que fizeram do homem um esbanjador aventureiro das riquezas naturais da terra; não está em anular o homem e estragar a terra, transformando esta em deserto e fazendo daquele um parasita mais ou menos polido e rico, que não deixa para gerações futuras senão exemplos de cobiça e ociosidade.

Incrível para algo tão velho, não?

Em 1932, alguns de seus seguidores criaram a Sociedade de Amigos de Alberto Torres, que chegou a ter 1000 escritórios em todo o Brasil. Em 1934, o governo Vargas criou o Código de Águas após discussões e muitas sugestões de membros da Sociedade. O código “permitiu a dissociação entre o enorme conjunto de recursos naturais existentes no País e as forças de livre mercado” - tornou água propriedade da União e dos estados. O expositor desta parte do livro, o professor da UnB José Augusto L. Drummond, alerta sobre os que defendem mudanças da legislação mineral e de águas, concessões: é “exatamente no sentido de privatizá-los, dando mais liberdade às forças do mercado para explorá-los”.

Uma curiosidade final: o rodízio veicular, em São Paulo, foi implantado na gestão de Feldmann para melhorar a qualidade do ar. Sem querer, descobriram que diminuía o trânsito, também.


El niño de Honduras e o Brasil nos trilhos (internacionais)

...para amanhã, um post sobre a história do ambientalismo no Brasil. Por enquanto, um clipe de um moleque de 10 anos impressionante, discursando contra o golpe de Micheletti em Honduras e inflamando o povo:



Leia também meu amigo Tadeu sobre o golpe em Honduras. É um panorama com causas e consequências  do golpe e da ação brasileira - bom para quem anda perdido com a metralhadora midiática paulista  (apontada para o presidente Lula) e de adjacências políticas.

The Indepent, um dos jornais do Reino Unido de maior prestígio global (junto com o The Observer), publicou um texto em 27 de setemebro sobre a candidatura do Rio de Janeiro às Olimpíadas, onde diz que o Brasil finalmente está sendo concretizado - como promessa de grande país que sempre foi. O título?



The rise and rise of Brazil: Faster, stronger, higher (clique para ler o artigo).



Ele usa o gancho das Olimpíadas para falar sobre o aumento da influência da política externa do Brasil, das descobertas da Petrobrás e de Manuel Zelaya na embaixada brasileira.

Há trechos bizarros, como este aqui, falando sobre o dinheiro do pré-sal:
Lula is making plans to use the new money to correct the abuses that stemmed from the Western-supported military coup of 1964, and the subsequent years of savage repression and torture, which ground down his own living standards and those of millions of other poor Brazilians. Brazil is also a massive food exporter – comforting when famine stalks many other places.

De onde o repórter tirou isso? Não era para a ciência e para a educação?

Bom, mas o artigo passa uma impressão positiva do governo, como a maior parte da cobertura internacional (em língua inglesa) sobre o Brasil no momento. A mesma coisa da imprensa-cão de guarda de São Paulo.

E a última: Lula sancionou a não-censura do debate político na internet e a impressão do comprovante de voto a partir da eleição de 2014!

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atualização

O nome do niño é Oscar David Montecinos.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Beethoven melancólico, solene e imponente

"Ludwig deixou a escola com apenas 11 anos e aos 13, já ajudava no sustento da casa, trabalhando como organista, cravista, músico de orquestra e professor. Era um adolescente introspectivo, tímido e melancólico, freqüentemente imerso em devaneios."

Este trecho foi retirado daqui, UOL educação (fonte mais confiável que a wikipedia, teoricamente). A biografia é didática e interessante para alguém (como eu) que só ouve música sem saber muito sobre a vida pessoal de quem produziu e viveu dela.

Como preciso dormir cedo, vou postar apenas um vídeo com um trecho de uma sinfonia de Beethoven que gosto muito. Obviamente, não é a Nona - não chatearia o sistema cognitivo daish visita com um padrão que está em todo lugar. 

Segundo violoncelista de rua com quem conversei na av. Paulista há alguns anos atrás, este é o movimento mais bonito que Beethoven escreveu (de todas as sinfonias que compôs). Eu também achava isso, mas ouvi com mais atenção a nona e a quinta e tenho dúvidas se dá para escolher "o melhor de Beethoven". Quando eu estiver mais velho, quem sabe?

Ouça (e veja a execução) o segundo movimento -  Allegretto - da Sinfonia no. 7 em Lá maior, de Ludwig Van Beethoven, regida pelo maestro Herbert von Karajan (um dos maiores do pós-segunda guerra mundial):


sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Romeu e julieta, de Sergei Prokofiev

"Minha mãe teve que me explicar que alguém não poderia compor uma rapsódia de Liszt porque era uma peça que Liszt compusera. Além disso, alguém não poderia escrever música em 9 linhas sem barras, porque música era, de fato, escrita em 5 linhas com barras. Tudo isso levou mamãe a me dar uma explicação mais sistemática dos princípios da notação musical"
(Sergei Prokofiev lembrando de sua primeira composição musical, 
"Rapsódia Lisztiana", que escreveu quando tinha 5 anos)


Romeu e Julieta, balé inspirado na obra de Shakespeare. 


Toca a primeira camada de sopro.


Ela é melodicamente invariável  - acho que um uníssono de oitava em fá -; outras camadas se sobrepõem com o mesmo comportamento e consecutivas. A intensidade do som aumenta progressivamente... até os sons furiosos explodirem com a percussão.


Após, o sopro junta-se cadenciando as cordas de arranjos modernos. No começo, você vai aumentar o volume do som para ouvir direito, mas correrá para abaixar em seguida :) - e aumentará de novo, porque é tudo muito bonito.


Prepare-se para o primeiro movimento:



O segundo vídeo começa no sexto movimento, e contém o resto da peça:




Ele nasceu na Rússia, como Stravinsky, Rimsky-Korsakov e dezenas de outros compositores. Estou descobrindo Prokofiev aos poucos; as únicas peças que conhecia eram esta (Romeu e Julieta) e Pedro e o Lobo, mas ouvi na Rádio Cultura FM de São Paulo ontem, dia 25 de setembro, algo muito interessante dele - obviamente não lembrarei o nome da sinfonia.

AH! Acho que lembrei. Talvez seja esta aqui - lembra um pouco Stravinsky, mas é bem mais melódico.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Presidente Lula, o cara aqui e lá fora

"Aish visita" desse blog tão sabendo que o Presidente Lula discursou na sede das Nações Unidas nesta quarta-feira, 23/09/2009), né?





Na Newsweek, há uma reportagem de 22 de setembro sobre o Presidente, intitulada "The Most Popular Politician on Earth". Ela traz parte de sua história pessoal e política e é entremeada por entrevistas de falas de companheiros de Lula. O subtítulo da matéria diz que "ele fez um trabalho espetacular como presidente do Brasil até agora".


Um dos trechos interessantes é a história que conta James Wolfensohn, presidente do Banco Mundial à época da posse do primeiro mandato. A tradução vai abaixo - perdi uma ou outra palavra:


"International money men still weren't sure. "We knew he'd been a union leader and the president of a political party. What I really wondered was if he had the guns to be president," says former World Bank president James Wolfensohn. So Wolfensohn sent out a feeler, offering to dispatch a team of experts to brief Lula's government on the key issues facing the international economy and Latin America. He didn't know how the new president would respond. "A lot of leaders throw the presidential seal at you," says Wolfensohn. "But Lula lapped it up. He was like a piece of blotting paper. He realized he had a major job to do and that running an election was different from running a country. For me, it characterized the man."


"Os homens das finanças internacionais ainda não tinha certeza. “Nós sabíamos que ele fora um líder sindical e presidente de um partido político. O que eu realmente duvidava é se ele tinha as armas para ser presidente”, diz o presidente do Banco Mundial no período, James Wolfensohn. Então Wolfensohn fez uma sondagem, oferecendo despachar um time de especialistas para questionar o governo Lula sobre assuntos chave que afetavam a economia internacional e a América Latina. Ele não sabia como o novo presidente ia responder. “muitos líderes jogam o selo presidencial em você”, diz Wolfensohn. “Mas Lula recebeu entusiasticamente. Ele era como uma peça de papel borrado (q q isso?). Ele percebeu que tinha um trabalho fundamental para fazer e que dirigir uma eleição era diferente de dirigir um país. Para mim, isso caracterizou o homem.” 

Para ler a matéria completa, clique aqui.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Jogo do Poder com Ciro Gomes (3 de 5) - 09/09/2009

Uma entrevista muito interessante com Ciro Gomes, conduzida por Alon Feuerwerker no programa O Jogo do Poder (CNT) - embora quem tenha conduzido mesmo tenha sido o próprio Ciro, ;).


O deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE) quer ser candidato à presidência e fala da história da recente democracia brasileira, passando pelas privatizações do governo FHC, a mídia contra Sarney, fisiologismos e outros acontecimentos. Também interpreta a conjuntura política atual - com os erros e acertos de seus companheiros e adversários - e promete que assumirá mais riscos que Lula para fazer as reformas institucionais necessárias ao país.

É legal ver ele debochando dos jornalistas a serviço de Serra e falando a respeito da absurda boa aprovação que o governo do PSDB tem em São Paulo - para o qual ele dedica algum tempo a demonstrar os erros administrativos. Também é da hora ele dizer, enfaticamente, que o PSDB de São Paulo significaria o retrocesso na presidência do país.

Esta é a terceira parte - clique em cima do video para ir ao youtube e ver os outros!

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Prokofiev e sua peça infantil Pedro e o lobo

Sergei Prokofiev é um compositor russo de música erudita da primeira metade do século XX. Ele é muito conhecido pela sinfonia infantil Pedro e lobo - no youtube, há o vídeo do desenho antigo da Disney, bem didático na apresentação dos instrumentos e dos temas musicais de cada personagem:



A abordagem didática, de apresentação dos instrumentos, era algo previsto já na encomenda da peçaEsse desenho curtinho (curta-metragem de animação) data de 1946, do filme Make Mine Music! 

Também há um lindo stop motion, bem recente, com a sinfonia Pedro e o Lobo. É bom assisti-lo depois de ver o anterior:




Tanto o antigo desenho como este são obras primas dos campos que exploraram (animação musical?), sendo o desenho da disney um infantil "cândido", mais fofo e o stop motion, um infantil mais "realista" e sombrio. Em 2007, o último ganhou o Oscar de melhor curta-metragem de animação.

Aqui você encontra uma biografia do compositor Sergei Prokofiev (wikipedia).

Aqui, a parte 2 do desenho e as partes dois, três e quatro do stop motion escrito e dirigido por Hugh Welchman.

domingo, 20 de setembro de 2009

A segunda via do R.G

Há 5 anos que uso a CNH quando preciso mostrar o número do RG. Eu não precisei do RG original até segunda-feira passada, quando fui comprar um chip nextel com procuração asssinada pelo meu pai. 

Lá, descobri que a carteira de habilitação não tem o dígito final do doc de identidade, o que fez o vendedor suspeitar da minha idoneidade, e fui embora com uma cara de m-.

Eu sabia que cedo ou tarde precisaria do RG original; então, durante a noite, verifiquei no site do Poupatempo os documentos necessários para pedir a segunda via. Lá pedem para levar a certidão de nascimento original e seu xerox, mas não precisei da minha para dar entrada no pedido (fui ao Poupatempo próximo da Luz, a um quarteirão da Sta. Efigênia).

O que usei realmente - e recomendo que vocês levem, caso desejem renovar seu RG:

- 1 foto 3x4 recente;
-CPF original
-CNH original
-R$ 23,80.

Depois, você fica na fila 1h40 até ser atendido, e volta no outro dia para pegar. Fácil, simples e demorado. E ainda aperta botõezinhos com carinhas  - acho que eram quatro: muito feliz, feliz, mais ou menos e de saco cheio - para responder à pesquisa de satisfação do Poupatempo ao final do atendimento!

Para chegar ao Poupatempo Luz:


Exibir mapa ampliado

Paranormal Activity!

Pelo trailer, parece um filme que impressiona. Veja a reação do público numa prévia:





Para que ele venha rapidamente ao Brasil, deve-se clicar em Demand it! no site do filme:
http://www.paranormalactivity-movie.com/

Depois, preencher o formulário e, com boa sorte, se borrar no cinema!

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Sangrando o coração da humanidade

Of Simplemindeds, for simpleminds.

Eu gosto de metal e de muitas outras coisas. Eu não sou metaleiro, eu realmente gosto de música - e isso me motivou a escrever este post.

Vocês já ouviram falar de Northern Kings? Pois bem, publicidade gratuita para eles. Eles merecem: quando uma banda faz coisas tão ridículas com músicas de outros, ela se torna digna de menção!

Saca só a versão para Kiss from a rose, a bela canção de Seal:



É deplorável e deprimente, de tão simplório e sem imaginação. Cheio de lugares comuns do metal, usados da forma mais estúpida possível, com ritmo articulado pobremente. Se você tentar falar mal no youtube (nos comentários), vai ser bloqueado - eu o fui rapidamente!

Pra terminar, mais uma versão vexaminosa de uma boa canção - Wanted dead or alive, grande sucesso do Bon Jovi:

sábado, 29 de agosto de 2009

O Trabalho de Conclusão de Curso (TCC)

Finalmente começo a pesquisa de meu TCC de jornalismo (na ECA/USP) sobre o Futuro das Energias Renováveis no Brasil. Minha primeira leitura é o livro Matriz Energética Brasileira, de João Alves Filho.

Pela introdução, João parece um escritor combativo e comprometido com o país. Ele é um político profissional filiado ao Democratas; foi prefeito de Aracaju entre 1974 e 1977 (durante o regime militar), governador de Sergipe nos períodos 1983-1987, 1991-1994 e 2003-2006, e Ministro do Interior do governo Sarney, entre 1987 e 1990.

O livro foi prefaciado por José Walter Bautista Vidal, físico ex-professor da Unb e um dos idealizadores do programa Pro-álcool (a Wikipedia tem uma boa explicação sobre o programa). Ainda não avancei o suficiente para saber se o prefácio é uma forma de legitimar o livro ou um atestado real de sua relevância. Faço uma resenha ao final!

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Sobre um jornalismo melhor e a não-obrigatoriedade do diploma

Leia o último post, o editorial da Folha de S. Paulo sobre o fim da obrigatoriedade do diploma de jornalismo. Este post comenta a posição daquele texto:

“Reserva de mercado nas redações?!” Que tal “as faculdades de direito, que mantinham uma espécie de “reserva de mercado” para seus egressos nos grandes escritórios de advocacia”?

Não confundamos alhos com bugalhos, como fez a Folha com seu editorial de hoje, intitulado “ por um jornalismo melhor”, misturando comentadores de suas próprias áreas de atuação com jornalistas.

Jornalista é quem tira seu sustento da produção noticiosa, do trabalho em diversas mídias (é um leque muito amplo de atividades). Não podemos confundir com o economista ilustrado com uma coluna fixa no jornal, por exemplo, ou o o dr. Dráuzio Varella com seu programa sobre saúde no fantástico.

O jornalista é tão fodido que é um empregado sem direito a fazer parte de uma classe profissional. Porque, quando for necessário apurar o assassinato da maricotinha, não é o economista que vai sair da sala confortável de onde envia seus artigos por email: é o jornalista, que tem o salário próximo de um operário de nível técnico, apesar de ser, teoricamente, uma profissão de nível superior.

Minha defesa da obrigatoriedade do diploma é uma defesa de classe profissional, sim, uma defesa da viabilidade deste ofício ser exercido com dignidade (leia-se um bom salário, plantões e horas extras pagas). A decisão contra a obrigatoriedade do diploma é excelente para quem já está estabelecido na profissão. Quem não está, se f...

“Os bons vão sempre se destacar!” Claro, só que competindo – desnecessariamente - de igual para desigual com advogados, médicos, economistas, administradores e engenheiros, que podem escrever sobre suas disciplinas específicas. Um jornalista especializado pode fazer isso também, só que apurando e pesquisando – ou seja, fazendo JORNALISMO.

Por favor, jornalistas, vocês trabalham para alguém! São empregados, não senhores de si! Encarem-se desta forma, for christ sake, não apenas como entes de afirmação das liberdades individuais. Isto não é conversa de comunista: vocês tem que se tocar que não podem abrir um consultório ou escritório para trabalharem, e não prestam serviços para indivíduos. Vocês trabalham para empresas em funções específicas, e deixam que todos possam ter acesso a estas funções!

Por que não tentam a magistratura? Não é apenas necessário conhecimento aprofundado das leis, dos teóricos do direito e cultura humanista?

Ah, mas esta função você não pode exercer, não é mesmo? Pois é.

Este tipo de jornalismo melhor a que se refere a Folha se faz com jornalistas especializados, seja em saúde, economia, em política, artes, - e com as respectivas sub-especializações de cada grande área.

Um jornalismo melhor

EDITORIAL DA FOLHA DE SÃO PAULO DE HOJE, 19 DE JUNHO DE 2009

Fim da obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão de jornalista é vitória do direito à informação


EXTINGUIU-SE finalmente, numa decisão histórica tomada pelo Supremo Tribunal Federal, a exigência de diploma de curso superior em jornalismo para o exercício da profissão.

Originária de um decreto-lei promulgado pelo regime militar em 1969, a obrigatoriedade do diploma foi considerada inconstitucional pela ampla maioria dos ministros da mais alta corte, com apenas um voto a favor de sua manutenção.
O debate em torno do assunto prolongou-se durante mais de 20 anos, dividindo a categoria dos jornalistas e opondo a estrutura sindical à maioria dos veículos de comunicação. Os principais beneficiários da obrigatoriedade do diploma, entretanto, não eram diretamente as organizações sindicais, mas as faculdades de jornalismo, que contavam com uma espécie de "reserva de mercado" para seus egressos.

Faculdades de jornalismo sempre tiveram uma contribuição a dar para a prática da profissão. Trata-se, mais que nunca, de confiar na melhoria de seus padrões de ensino e no aporte seja de técnicas específicas, seja de uma formação humanística geral, que podem trazer ao interessado na carreira de jornalista.

O que nunca se justificou -e vai se revelando cada vez mais anacrônico diante da proliferação do jornalismo pela internet- é restringir apenas aos detentores de diploma específico uma atividade que só se beneficia quando profissionais de outras áreas -médicos, filósofos, historiadores, biólogos- encontram lugar nas redações.
Foi bastante claro o voto do ministro Gilmar Mendes, relator do processo no STF, ao distinguir as profissões que de fato dependem de conhecimento técnico específico daquelas que dispensam regulamentação formal. Uma sociedade que não estipulasse requisitos para a carreira de médico estaria, obviamente, ameaçada pelo exercício inepto da profissão.

É igualmente certo que o jornalismo, como qualquer outra atividade, não está imune a erros, no caso, de apuração e redação. Não é, todavia, pelo fato de possuir diploma superior de jornalismo que um profissional estaria mais ou menos propenso a cometê-los.

O aperfeiçoamento do jornalismo praticado no Brasil não depende de tutelas legais e autoritárias, mas, ao contrário, da contribuição dos talentos e das vocações de todos os que, a despeito de sua formação escolar específica, sejam capazes de trazer à sociedade informações, análises e opiniões mais aprofundadas, mais claras e mais abrangentes.

A decisão do Supremo Tribunal Federal vem, finalmente, contribuir para que esse árduo compromisso -que é o da Folha- não encontre em dispositivos cartoriais, desconhecidos na ampla maioria dos países democráticos, um impedimento anacrônico, incompatível com o direito à informação, com a liberdade profissional e com a realidade, cada vez mais complexa, do jornalismo contemporâneo.

sábado, 7 de março de 2009

Qual é o valor de uma excumunhão?

O Brasil é um Estado laico, mesmo que religiosos não gostem ou não aceitem a divisão entre fé e política. Isso significa que há separação total de Igreja e Estado, e as decisões de um ou de outro são soberanas dentro de seu campo de atuação. Só que, por sua natureza de constituição da sociedade e regulação de seus conflitos, a atuação do Estado perpassa todas as nossas ações e vida: todos precisamos seguir determinadas regras para não sermos punidos e retirados do convívio social.

A fé, por outro lado, é uma ESCOLHA. Sabemos que, para haver uma sociedade democrática, onde todos têm o direito de se expressarem, inclusive religiosamente, é necessária uma grande dose de respeito às diferenças. Por isso, respeitamos aquele amigo que é pastor, e ele nos respeita no nosso despojamento de fé.

Só que, mesmo que eu não tenha fé, não ignoro que a maior parte das pessoas participa de alguma comunidade religiosa. Seja no coral de uma igreja de seu bairro, seja uma campanha para doação de roupas e alimentos ou grupo de jovens.

E aí entra o problema da excomunhão dos médicos e da garota de 9 anos, violentada pelo padrasto em Pernambuco. A igreja, representada em seu membro da Arquidiocese de Olinda e Recife, entende que aborto é muito mais sério que estupro, pela lógica que o aborto é um assassinato; o estupro, não. Deste modo, o "estupra, mas não mata" pode ser até cristão!

Pecador, te excomungo!
Excomunhão significa bloquear o acesso dos religiosos excomungados à participação dos sacramentos da religião, como casamento, crisma e eucaristia. Embora possam participar das missas, há o simbolismo mais forte: eles NÃO PODERÃO ENTRAR NO REINO DOS CÉUS!!!

Quer dizer: a preocupação dos médicos em salvar a menina de 9 anos da morte é o pecado capital?

1. Como ela teria condições de amamentar seus filhos nessa idade (isso se não morresse)?
2. Como ela os criaria?
3. Qual é a possibilidade dela se tornar uma mãe presente, construir uma família saudável, ser a mãe "porto-seguro"?
4. Como ela os sustentaria?
5. Como ela frequentaria a escola?
6. Que futuro ela teria? E os filhos?

Mantenham os dogmas em seu lugar
Os médicos atuaram amparados em fatos – o aparelho reprodutório imaturo, a violência sofrida e o amparo na legislação –, confiantes no aprenderam na escola de medicina. Eles cuidaram de uma vida que poderiam garantir. No portal G1:
“De acordo com a diretora do Cisam (médica excomungada, Fátima Maia), a criança poderia ter ruptura de útero, hemorragia e bebês prematuros, além de risco de diabete, hipertensão, eclâmpsia e de se tornar estéril.”

Dizer não ao aborto é fazer com que a criança arque com as consequências de um ato não-consentido – os sintomas descritos acima pela Dra. Fátima e a possibilidade de morrer. O Arcebispo nunca teve filhos. A argumentação da igreja é insensível ao drama e a dor da menina, e abominação que representa este posicionamento explica porque a igreja católica perde cada vez mais fiéis. Eles estão distantes da realidade, ligados a dogmas que só têm compromisso com a igreja, não com o amparo da dura existência humana.

Não é o ser humano que é defendido por eles, mas a instituição. Como confiar numa igreja assim? É lastimável que a igreja católica seja tão contundente com interesses corporativos e tão pouco zelosa com o que deveria defender, acima de tudo: a dignidade humana.

Excomungar é libertar
A excomunhão não tem grandes resultados práticos. Os excomungados que têm fé continuaram a carregá-la; os que não têm acreditarão ainda menos numa igreja. Imprimiu dignidade à causa a defesa que o Presidente Lula fez dos médicos.

Quem se importa em ser excomungado por um ato como esse? Os médicos que operaram a menina têm a lei (do Estado laico) do seu lado e apoio de colegas de profissão e especialistas. Eles não se arrependem por terem feito seu trabalho. Ainda bem - melhor para nós e para a humanidade civilizada.