segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Ilíada - lida afinal

“Parece-me que Hesíodo e Homero, quanto à idade, foram mais velhos do que eu em quatrocentos anos, e não mais. Eles são os que compuseram teogonia para os gregos, deram os nomes aos Deuses, distinguiram-lhes honras e artes, e indicaram suas figuras.”

Heródoto II, 53. Da contracapa de Tegonia, tradução de Jaa Torrano.

Há 10 anos guerreiam aqueus e troianos quando do início da Ilíada. A longa e extenuante batalha está em seus momentos decisivos, que precedem a queda da cidade de Tróia (Ílion, em grego).

LEIA EM VOZ ALTA:
“A ira, Deusa, celebra do Peleio Aquiles,
O irado desvario, que aos Aqueus tantas penas
trouxe, e incontáveis almas arrojou no Hades
de valentes, de heróis, espólio para os cães
pasto de aves rapaces: fez-se a lei de Zeus;
desde que por primeiro a discórdia apartou
o Atreide, chefe dos homens, e o divino Aquiles.”
(começo da Ilíada de Haroldo de Campos)

Em nenhum momento, o poema narra a tomada da pólis troiana pelos argivos vencedores; o canto final chega a descrever o funeral de Heitor, o melhor filho de Ílion - prenúncio do fim da cidade.

Este encerramento do poema antes da invasão leva a duas constatações: a morte gloriosa de Aquiles, que concretiza a profecia de sua mãe Tétis sobre uma vida rápida e eternizada na batalha sangrenta entre os homens, não está presente. É vastamente conhecida a versão da flecha no "tendão de Aquiles", disparada por Páris Alexandre (um honorável covarde na Ilíada); na Ilíada, o que se tem é a certeza de que Aquiles morrerá durante a conquista de Tróia, mas a morte não é narrada.

A segunda constatação, também consequência da ausência da invasão: não há cavalo de Tróia na Ilíada.

Aquiles de pés velozes
Aquiles, o herói maior da estória – viril, dominador, um super-homem no sentido nietzscheano da expressão – havia recebido como espólio de outra guerra uma garota como escrava, Briseida. O rei dos reis, Agamémnon, tomou-a para si, e desde então Aquiles se negara a combater em prol dos Argivos, Dânaos e Aqueus (Aquiles é rei dos Mirmidões, aliados de Agamémnon e Menelau, irmãos-reis). É importante saber que o que Aquiles sente por Briseida é afeição, em oposição ao puro desejo carnal de Agamemnon, o que pode sugerir que um tem mais valor humano que o outro por sentir emoções mais nobres.

Pela maior parte da Ilíada assim fica Aquiles, na sua cabana na praia, sem participar da guerra, enquanto sangue é derramado dos dois lados do confronto . E quando escrevo sangue, não é por força de expressão: a Ilíada é um livro de guerra, e esta é sanguinária e mortal numa miríade de maneiras.

Morte de Pândaro (p.113):
“Assim falando, atirou a lança. E Atena guiou-a até o nariz,
entre os olhos de Pândaro. Penetrou através dos alvos dentes.
O bronze renitente cortou a língua pela raiz e a ponta
da lança saiu por baixo, pela base do queixo.”

Morte de Dólon, espião dos troianos (p. 213):
“Falou; e Dólon estava prestes a tocar-lhe no queixo
com a mão firme para suplicar, mas no meio do pescoço
com a espada lhe deferiu Diomedes um golpe e cortou os tendões;
e a cabeça de Dólon proferia ainda sons ao bater na terra.”

Por mais que amigos de Aquiles, companheiros seus de batalha, os quais ele respeitava, fossem intervir em nome de Agamémnon, ele não arredava o pé. Mesmo quando o rei dos reis oferece devolver Briseida e ainda pagar uma imensa indenização em ouro e bois, Aquiles não toma partido dos argivos, tamanho é seu orgulho ferido – proporcional à importância do herói na definição dos rumos da narrativa. Sua participação é fundamental para os povos sob o comando de Agamemnon e seu irmão Menelau tomarem a cidade de Tróia.

“There’s no pacts between wolves and lambs”
Aquiles (Brad Pitt) em Troy

“Tal como entre leões e homens não há fiéis juramentos,
Nem entre lobos e ovelhas existe concordância,
Mas sempre estão mal uns com os outros –
Assim entre ti e mim não há amor, nem para ambos
haverá juramentos, até que um ou outro tombe morto,
para fartar com seu sangue Ares, portador do escudo de touro.”
(trecho da Ilíada de Frederico Lourenço)

Este é Aquiles gritando com Heitor, no momento em que Heitor propõe a não-profanação de seus corpos, não importa quem ganhe a batalha. Aquiles estava muito chateado pela morte de Pátroclo, escudeiro e companheiro de Aquiles – “o amigo que ele de longe mais amava”.

Pátroclo entrara no combate a mando de Aquiles, com as armas do próprio. Aquiles só decide entrar na guerra no décimo oitavo canto, de XIV totais, após a morte de Pátroclo.

Heitor, além de príncipe de Tróia, é um modelo de nobreza atemporal. Ele vive cenas domésticas enternecedoras para os padrões de virilidade da Ilíada e é mostrado como um marido fiel e pai dedicado. Mais: ele tem apenas uma esposa, enquanto homens poderosos têm diversas esposas, como seu pai.

Esta existência exemplar será encerrada pelo maior dos heróis. A entrada de Aquiles no conflito define a estória como a conhecemos. O herói se engaja no combate num momento de desesperança para os invasores, que parecem estar diante de uma cidade inabalável (Tróia) e lutando contra um defensor invencível (Heitor).

Com armas novas, feitas pelo deus Hefesto, deus coxo artesão – as antigas tinha sido apropriadas por Heitor, na ocasião da morte de Pátroclo - Aquiles entra no combate que eternizará seu nome por derrotar o maior dos troianos. Não é pouco. Durante a Ilíada inteira, percebe-se que ninguém é páreo para Heitor e, portanto, só Aquiles conseguiria mandá-lo pro Hades.

Mesmo nobre e valoroso, Heitor é dragado e despedaçado pela fúria caprichosa de Aquiles - o que pode sugerir, embora vagamente, que tipo de homem era um vencedor na Grécia Antiga. Talvez a Ilíada inteira seja uma moldura para este embate,o maior dos séculos.

Após a matá-lo, Aquiles arrasta o corpo de Heitor preso ao carro de cavalos, que só não sofre danos porque esta protegido pelos deuses. Um trecho de um discurso do deus Apolo ilustra didaticamente este perfil sanguinário:

"Mas é ao feroz Aquiles, ó deuses, que quereis favorecer:
ele a quem faltam pensamentos sensatos e um espírito
moldável no peito. Como um leão, só quer saber de selvagerias:
um leão que encorajado pela sua estatura e força e altivo coração se atira aos rebanhos dos homens, para arrebatar a refeição"

O deus Apolo criticava o favorecimento de Aquiles por Zeus na luta contra Heitor, e a profanação do corpo do oponente. Ainda assim, o cruel Aquiles cede ao pai de Heitor, o rei Príamo, quando ele o procura, ensandecido pela morte do filho (o velho chegara a passar esterco no corpo).

Aquiles estabelece então uma trégua de 12 dias para os jogos entre os aqueus (vencedores) e, do lado de Tróia, para as honras fúnebres de Heitor, "domador de cavalos". O livro termina aí, momentos antes de Tróia ser tomada e depredada. Após o fim, Odisseu (Ulisses), que lutava ao lado de Aquiles e Agamemnon, levará ainda 10 anos para conseguir voltar para casa. Delineia-se a Odisséia, o outro grande (gigante) poema de Homero.

Febo Apolo flechicerteiro
Se há um motivo muito forte para ler a Ilíada, não é por que "sob certo ponto de vista, nenhum outro livro que se lhe tenha seguido conseguiu superá-lo”, como diz a contracapa da tradução de Frederico Lourenço.

A razão é bem bem mais simples: é o PRIMEIRO livro da história da literatura ocidental. É a causa primeva, que inicia algo que nunca aconteceria se não inciado e que nunca mais deixou de ser feito - a causa sem a qual não haveria efeito algum.

Além disso, milhões de expressões/séries/filmes/gibis/artigos/games e, obviamente, livros, fazem referências veladas ou não a acontecimentos/personagens do épico. Não dá pra ignorar a influência cruzando séculos em obras de arte variadas - de representações em vasos a blockbusters.

Em português, há diversas traduções. A recomendada pela Professora Giuliana Ragusa, do Departamento de Letras Clássicas, para a disciplina Poesia Épica: Homero, é a de Haroldo de Campos (seu início foi transcrito no começo do post).

Se lida em voz alta, variando-se o tom de voz, o ritmo+sonoridade parecem um melodioso canto feito para botar em transe. A que li começa assim:

“Canta, ó deusa, a cólera de Aquiles, o Pelida
(mortífera!, que tantas dores trouxe aos Aqueus
E tantas almas valentes de heróis lançou no Hades,
Ficando seus corpos como presa para cães e aves
De rapina, enquanto se cumpria a vontade de Zeus),
Desde o momento em que primeiro se desentenderam
O Atrida, soberano dos homens, e o divino Aquiles.”

Esta é tradução de Frederico Lourenço, melodiosa e com rimas singelas, um pouco mais “fácil” do que a de Haroldo – que segundo a própria introdução do Professor Frederico, foi a que mais se aproximou do sopro homérico original, “a despeito de suas miríficas (admiráveis) excentricidades”. Quando lida em voz alta, parece mais pobre em termos sonoros que a de Haroldo – mas é prazerosa (nem sempre, ;)) de se ler no papel.

Acho que, para quem vai encarar os deuses e seus caprichos ou preferências pela primeira vez, a de Frederico Lourenço é mais adequada. E, se você não tem interesse em comprar um livro novo, pode acessar a tradução de Manuel Odorico Mendes  aqui – ela está em domínio público. Não li, mas sei que é a mais difícil de ser lida, por sua estrutura sintática e neologismos.

As questões em torno da obra

São muitas questões suscitadas pela Ilíada. Existiu um Homero? E este teria composto a Odisséia? Ela era sempre foi escrita e lida ou era recitada por gerações consecutivas até que alguém fez um registro escrito? A guerra de tróia realmente existiu? De que tempo Homero fala?

Não responderei a nenhuma delas porque, afinal, eu tenho uma vida fora do computador. Mas sugiro que, se interessar, pode-se começar a investigá-las pelo básico - lendo a Wikipedia. Depois, o livro O Mundo de Homero, de Pierre Vidal-Naquet.

Ah, claro. Leia também a Ilíada.

domingo, 7 de novembro de 2010

A Grécia antiga não me deixa em paz 2: Os trabalhos e os dias


"O Trabalho e os Dias", também de Hesíodo, deixa as estórias de sucessão e poder divinos para concentrar-se na explicação da condição humana - e expõe o que há de responsabilidade dos deuses nessa condição.

O livro pode ser divido em duas partes. A segunda trata de orientações de cultivo da terra;  supõe-se que Hesíodo era um agricultor e cantava para agricultores, em oposição a Homero, que tinha poemas mais sofisticados e longos, e cantava para aristocratas urbanos.

A primeira parte tem pequenas estórias moralizantes e uma das estórias mais importantes da cultura ocidental, definidora da humanidade que se seguiria a ela - nascendo, comendo, sendo escravizada por suas fomes (alimentar e sexual), trabalhando, adoecendo e morrendo. Não vou comentar aqui sobre a estória das 5 raças de homens; recontarei a mais importante - obviamente, escolhida de forma arbitrária :).

Zeus e um Titã que gostava muito da humanidade, Prometeu (pro= antes; metis = visão), deviam partilhar um boi sacrificado para definir quais partes concerniam aos homens e quais, aos deuses.

Por sua predileção, Prometeu armou um embuste para Zeus, cobrindo as carnes e as banhas com a pele do estômago do boi e, assim, disfarçando a parte nobre da caça. Depois, ofereceu a Zeus os ossos revestidos de gordura, o que os fez parecer muito mais atraentes que o "estômago", apesar de não serem comestíveis.

Zeus, como era de se esperar do MAIOR dos seres viventes, ficou puto, e privou os homanos do fogo celestial (o relâmpago). Prometeu planejava e agia rápido, e roubou o fogo celestial de Zeus (escondido) para dá-lo aos homens, de forma que eles se aquecessem no frio, cozinhassem a carne ou iluminassem a noite.

Zeus, que lá do Olimpo dava um look pra miséria terrena (naquele momento, bem menos miserenta, pois a terra-nutriz tudo provia, sem necessidade de cultivo), vê um bando de vagabundo (uma palavra desprovida de significado à época, já que o trabalho inexistia) bêbado dançando ao redor da fogueira e pensa: raios! roubaram meu fogo!

Ele já sacava quem fora o espertinho, e ofereceu um presente ao irmão de Prometeu, Epimeteu. Prometeu já alertara seu irmão a nunca aceitar presente algum de Zeus, mas ele não se lembrou disso - pois Epimeteu é aquele que só vê depois que a merda aconteceu (epi = depois).

O presente de Zeus era irrecusável , para qualquer mortal ou titã: uma mulher com pele sedosa e cabelos de deusa, olhos de deusa, perfume de deusa e vestes de deusa, cada detalhe pensado por um deus olímpico. Ela trazia não uma caixa, mas um jarro, e quando da aceitação de Epimeteu, inclinou o jarro e fez fluir pela terra todos os males que a humanidade enfrenta desde sempre: envelhecimento, morte, doença e impulsos sexuais que escravizam o homem à sua própria mulher.

Ela foi a primeira de seu gênero.

Seu nome, Pandora.






















Pandora em versão "Heavy Metal"

Theogony, the movie

Looks like crap.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

A Grécia antiga não me deixa em paz

Quando pequeno, eu tinha curiosidade sobre os deuses gregos, embora ainda não soubesse que seus nomes denominavam deuses e, muito menos, que eles eram gregos. 

Só tomei contato com a literatura da Grécia antiga quando fiz Poemas Hesiódicos, uma disciplina na faculdade de letras da USP. O nome da disciplina vem de Hesíodo, contemporâneo de Homero e autor de "Teogonia" e de "O Trabalho e os Dias - o primeiro, li na tradução de José Alves Torrano e o segundo, na de Mary de Camargo Neves Lafer

Hesíodo era um aedo - alguém que cantava estórias épicas acompanhado por um músico tocando algum instrumento, provavelmente de cordas. Não se sabe se ele foi letrado, mas é muito provável que não, ja que a poesia nasceu oral em todos os cantos onde é praticada. 

Este analfabetismo seria até apropriado para um cantor de épicos. Sabe-se, segundo Pierre Vidal-Naquet, que "aedos" sérvios analfabetos contemporâneos nossos recitavam imensas epopéias em cafés da região de Novi Pazar (Kosovo) e perdiam suas faculdades poéticas quando aprendiam a ler.



Gênese divina





















Na Teogonia (theos + gonos), Hesíodo fala sobre a origem dos deuses gregos e, assim, desenvolve uma cosmogonia baseada em deuses que evoluem de entes da natureza (como Urano e Gaia) a seres corpóreos e inteligentes, capazes de dolo e justiça (como os deuses olímpicos).

As estórias cruzam quatro gerações de divindades, mas três são as mais relevantes. Os passos definidores começam com Crono, que derruba seu pai Urano e se torna o rei dos titãs. Crono cortou o pênis do pai porque ele abusava de sua mãe Gaia; ela escondeu Crono em suas entranhas e, quando o pai se deitava sobre a mãe Terra, zap! – foi "ceifado".

Porém, Crono não foi um pai melhor: engolia todos os seus filhos, por receio de uma profecia sobre um filho que provocaria sua queda. Esta precaução não surtiu efeito, pois seu filho mais velho, Zeus, foi escondido por Gaia (sempre ela) até de crescesse para realizar seu destino olímpico.


Zeus arregimentou seus irmãos e divindades mais antigas contra Crono e sua turminha da pesada e, por 10 anos, guerreou na Titanomaquia. Os deuses olímpicos venceram a batalha, e mandaram os titãs para o Tártaro - embora alguns  titãs tenham ficado de fora, por serem aliados dos deuses.

Esta era de golpes de primogênitos é encerrada com o estabelecimento do reinado de Zeus no Olimpo. Ele é o prenúncio de uma nova era de justiça e equilíbrio para todos e, posteriormente, será o criador das raças de homens.


Zeus representa o advento de uma era de razão e, portanto, mais humana. É dentro desta lógica que pode ser entendida a progressão das primeira e segunda gerações de divindades (entes naturais como terra e e céu) à geração dos titãs (a terceira), animalizada e brutal, chegando a última geração – os deuses olímpicos que, apesar de multipoderosos, metamorfos e eternos, são mais à “nossa imagem e semelhança” - pelo menos, em termos de comportamento caprichoso (Niezsche diria "exuberância de vida" para este tipo de agir).

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Meu amor acumulador

Tanto amor desperdiçado
Nesta solidão
Tanto orgulho posto de lado
Assassinado para que eu pudesse ficar ao seu lado
Uma vez

Eu estava disposto a me acovardar
Deixar a arte, virar burguês
Me integrar, sem muito alarde
A moral da mesquinhez

Um homem de bem
Um orgulhoso provedor
Empreendedor Junior
Um sonhador
De sonhos sem fulgor

Um homem civilizado,
perfeitamente domesticado.

Rotissina

Li On the Road
Minha vida o é
Sem vagabundagem iluminada
Só atletismo social
As pessoas das minhas viagens não dão a mínima.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Fúria de Titãs (ou o filho da América): resenha


Assista se você: gosta de muita pancadaria, ação frenética e criaturas mitológicas (nem sempre existentes na mitologia original) em CG extraordinária. 
Não assista se você: não gosta de filmes comerciais de Holywood por princípio e tem ânsia de vômito com seus clichês.

Dica: ignore a versão em 3d e vá a um cinema com a maior tela que você puder encontrar.
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Vi, ontem, Fúria de Titãs em 3d no Cinemark do Shopping Santa Cruz. A essa altura, todos devem saber que se trata da história de Perseu, o semideus que fundou Micenas e matou seu avô Acrísio sem querer.


O filme é um remake de Clash of the Titans, de 1981; porém, a história foi bem mudada - o Perseu de 2010 é como aquele marine libertador dos Naavi de Avatar e, aliás, é o mesmo ator, o que torna inevitável relembrá-lo, tão parecidas que são suas expressões faciais em ambos os filmes. Vamos ao atual.


Sob a égide de Zeus
Perseu é um cara simprão que cresceu junto a uma família de pescadores - eles o adotaram após encontrá-lo bebê junto da mãe defunta, dentro de uma urna à deriva no mar. Só que o cara que gosta das coisas simples da vida é também o filho ilegítimo do rei Acrísio, que atirara sua rainha no mar na mesma urna em que os pescadores a encontraram.


O rei a condenara à morte, após flagrá-la nas pós-liminares com Zeus disfarçado de Acrísio, o que também significa, obviamente, que Perseu é o pimpão de Zeus detentor da égide :). Por ser um semi-deus, Perseu sobreviveu à navegação in very low levels de oxigênio; se eu me lembro bem, nasceu enquanto a mãe estava na urna.


Numa das primeiras cenas, guerreiros de Argos derrubam uma estátua de Zeus de um penhasco à beira do mar, em desafio-confronto para com o Olimpos. Os humanos desejavam libertar-se da tirania dos deuses e deixar de adorá-los com esse gesto; os deuses, por outro lado, precisavam de sua adoração para viverem (para sempre, claro). 


Neste mesmo momento, o barco de Perseu e família passeava ao lado do penhasco e surge o deus Hades, que mata diversos guerreiros como castigo pela insolência. De retorno para o mármore (em direção às profundezas do oceano), arrebenta o barco em sua passagem e assassina a família postiça de Perseu.


Este, então, fica furioso e torna-se o desafiador número um dos deuses - o que já era uma continuação do tipo de atitude que seu padrasto sugeria em relação a eles quando vivo: dizia "alguém vai ter que confrontá-los", após um período de pescas magras (causadas, inferimos, por Poseidon).


Depois de resgatado pelo reino de Argos, após o ataque de Hades a seu barco, Perseu gradativamente torna-se o THE ONE da "humanidade" (Argos): de vingador, ele é promovido a libertador da raça humana da tirania dos deuses. Similar (idêntico) ao que o mesmo ator se torna em Avatar. Melhor ainda, e mais próximo do ideal: ele é um semi-deus, filho de um deus, salvador da humanidade, desafiador da autoridade estabelecida e que será adorado depois de seu feito. A América não poderia ter melhor filho.


Daí, Perseu percorre sua jornada lutando contra monstros mitológicos, como a Medusa e escorpiões gigantes. Infelizmente, foi cortada sua paixão por Andrômeda, filha do rei de Argos, que deveria ser sacrificada por sua mãe sempre compará-la às deusas - na narrativa original, quem a condena é Poseidon; em Fúria dos Titãs 2010, é Hades que traz o monstro Kraken das profundezas do Mármore para se banquetear com ela.


Senhor dos Titãs com 3d fajuto
Como quase sempre acontece com filmes deste porte de financiamento (US$ 70 milhões), os diálogos são muito dáticos e tudo é sempre evidente; apenas a Zeus (Liam Neeson) e a Hades (Ralph Fiennes) é concedida a dádiva da ambiguidade de linguagem e comportamento. As atuações, também excluídas estes dois aí e, em menor proporção, o próprio Perseu (Sam Worthington), são bem regulares no mal sentido.

Mesmo assim, o filme possui imensas qualidades técnicas: a computação gráfica é fotorrealista, servindo perfeitamente aos propósitos das frenéticas cenas de batalha; a trilha sonora, as vezes genérica, consegue manter a tensão das cenas mais agitadas, com um cello tocado nervosamente no estilo Apocalyptica
A forma como os deuses, do Olimpo, veem a Terra, é muito legal - eles ficam em pé de um mapa-realidade que exibe nuvens, relevo e a humanidade. 

O filme, em si, é pancadaria pra todo lado, em altíssima velocidade, e as cenas de combate são muito boas, embora sofram por alguns clichês, que também permeiam quase toda a produção. Por exemplo, a cena final Pégaso voando em direção à tela - quantas vezes você já viu algo ou o herói voando em direção à tela? Umas centenas?  A cena é vexaminosa de tão batida. Há também tomadas panorâmicas de voo e trechos mais calmos da trilha sonora que lembram muito Senhor dos Anéis, uma referência para filmes épicos. O terrível é reviver algumas de suas fórmulas já levemente tediosas por natureza piorarem em terceiros.


E como suspeitei, o filme é um 3d fajuto, pois foi filmado em 2d e adaptado para cinemas 3d. Nas cenas iniciais, isso não é evidente; com seu decorrer, o efeito chega a ficar uma merda, porque os personagens parecem ter tido sua imagem recortada e colada por cima, e ainda há sobras (!!!) para fora do corte. Uma coisa medonha, pavorosa de porca.



Conclusão
Assisti um pouco à primeira versão de Clash of the Titans, e me pareceu que o filme antigo é mais fiel à relação dos gregos com seus deuses, embora tenha efeitos especiais pífios e, segundo este texto, já datados mesmo à época de seu lançamento. Aliás, o texto indicado é uma resenha excelente e equilibrada sobre Fúria de Titãs, que compara o atual com original e pesa méritos e deméritos dos dois.


Eu não tenho, em princípio, nada contra filmes com orçamentos milionários. Mas acho que, se a Warner Brothers não considerasse seu público um bando de jumentos, que só quer pancadaria numa escala épica + falas mais ou menos imbecis, teríamos um filme um bilhão de vezes melhor. O negócio é ignorar tanto esse defeito quanto a baboseira do libertador americano e grudar no frenesi das batalhas.
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Questão interessante
Do pouco que sei sobre mitologia grega, parece-me que Zeus oscila entre ser onisciente e não o ser - por poder ser enganado e não ser enganado ao mesmo tempo (a história de Prometeu, na Teogonia, é um bom exemplo disso). Em Fúria de Titãs, Zeus não é onisciente, pois tem de descer do Olimpo para conferir seu filho ainda vivo e pôde ser enganado por seu irmão. Talvez a onisciência seja apenas atributo de Apolo. A verificar.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Internet is for porn!

É velho, mas é bom relembrar: "grab your dick and double click for porn, porn, porn!"


domingo, 6 de junho de 2010

OBAMA VS. AL CAPONE - traduzido (Newsweek desta semana)

O Celso R. Barros do blog Na Prática a Teoria é Outra (NPTO)postou sobre a capa da Newsweek desta semana. Eu fiz uma tradução do artigo de 29 de maio, que defende a política externa de Obama em detrimento da de Bush Jr. Não sei se está precisa, por isso, aceito sugestões. O original, em inglês, foi escrito por Fareed Zakaria.


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OBAMA VS. AL CAPONE

A política externa de quem faz mais sentido?

Dizem que uma imagem vale mais que mil palavras. Mas a recente foto do primeiro-ministro turco Recep Tayyip Erdoğan e do presidente do Brasil Luis Inacio Lula da Silva abraçando o iraniano Mahmoud Ahmadinejad incitou dezenas de milhares de palavras como comentário. Raramente uma única fotografia irritou tantas pessoas.

O alvo das maiores críticas, no entando, foi um homem que não estava nem na imagem. “O crédito total deste fracasso vai para a administração Obama”, declarou o The Wall Street Journal. O colunista conservador Charles Krauthammer foi menos contido. Escrevendo no Washington Post, ele trovejou: "aquela imagem – um desafiador, triunfante, 'toma-isso-Tio-Sam'- é um veredito acachapante sobre a política externa de Obama. Ela demonstra como poderes em ascensão, aliados tradicionais dos EUA, ao assistirem esta administração em ação, decidiram que não há custo no alinhamento com inimigos dos EUA, e que não há lucro em alinharem-se com um presidente norte-americano dado a desculpas e apaziguamento".

Essa é agora a linha de ataque demarcada contra a política externa de Barack Obama. Ele é muito gentil, e outros países estão tirando vantagem dele. Primeiro foram os russos, chineses e iranianos. Agora, mesmo os brasileiros e turcos estão aderindo. “Não há nada há temer em Obama, e tudo a ganhar insinuando-se para os adversários em ascensão da América”, escreve Krauthammer.

Algo disso reflete um padrão familiar de crítica a um presidente americano. Coisas ruins acontecem no mundo, e nós dizemos à Casa Branca, “Como vocês puderam deixar isso acontecer?” Quanto pior o derramamento de óleo fica, mais temos certeza que Obama deveria estar fazendo algo para interrompê-lo e tirar aquelas imagens das telas das televisões.

Os críticos estão nervosos, por exemplo, que Obama não tenha feito a Revolução Verde triunfar no Irã. Mas o regime iraniano é tanto repressivo como pujante (rico), e usa armas e dinheiro para se manter no poder. Ele também tem algum apoio significante entre os pobres, os idosos e entre a população rural. Isso não é um regime como o da Coréia do Norte, que sobrevive somente amparado em sua brutalidade. Nem é isolado como Pyongyang. Brasil e Turquia provavelmente não estão solitários em sua abertura para com o Irã. Os 118 países que compõem o bloco não-alinhado passam resoluções de apoio à Teerã rotineiramente, na batalha por seu programa nuclear.  Um discurso mais beligerante de Obama não teria feito o regime de Teerã colapsar.

Seus oponentes conservadores acreditam que Obama precisa se tornar mais duro, pressionar estes outros países e mostrar a eles que America significa negócio. Há apenas um problema: aquela política já foi tentada extensivamente e falhou de forma dolorosa. A administração de George W. Bush conscientemente definiu sua política externa como dura e agressiva. “É melhor ser temido que amado”, Dick Cheney dizia, citando Maquiavel. Donald Rumsfeld escolheu uma fonte menos refinada, frequentemente mencionando a frase de Al Capone: “Você vai mais longe com uma palavra gentil e uma arma que com uma palavra gentil.”

Esquecemos os resultados desse experimento com machismo como política externa? Na Europa, os mais antigos aliados da América se viraram contra os EUA. Outros governos criticaram publicamente Washington política após política e recusaram a apoiar seus esforços. Em 2007, largas maiorias de país após país, até mesmo em lugares historicamente pró-americanos como a Bretanha, se viraram contra a America.
Turquia, como acontece, demonstrou-se um estudo de caso sobre como não lidar como um aliado. A administração Bush tratou o país com a mistura usual de soberba e arrogância, ameaçando-o com horríveis conseqüências caso não permitisse que as tropas dos EUA atacassem o Iraque a partir de seu território. Aparentemente sem consciência de que a Turquia tornara-se uma democracia em consolidação e que 95% do público turco se opunha a uma guerra com o Iraque, a administração Bush foi totalmente pega de surpresa quando o Parlamento turco votou pelo não, suspendendo os planos de guerra dos EUA.

Há uma tendência maior que os críticos de Obama “deixaram passar” completamente. Países como Turquia e Brasil (e China e Índia) cresceram em poder econômico durante as duas últimas décadas. Em 1995, os países emergentes compunham algo como um terço da economia global. Neste ano, eles serão a metade – e aumentando. Eles aguentaram a crise econômica muito melhor que o mundo ocidental. São politicamente estáveis, ricos, e de uma auto-confiança crescente, determinados a exercer um papel maior no palco do mundo. Sob estas circunstâncias, a idéia de que Obama só precisa arremessar o peso dos EUA por aí é tola e perigosa. Brasil e Turquia não se tornarão mais cooperativos se Washington ameaçá-los mais. A tarefa dos EUA é encontrar maneiras de formar parcerias e convencer os poderes mundiais emergentes de que eles tem interesse num mundo mais estável e decente. E Al Capone não é bem um modelo para fazer com que isso aconteça.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Os Piratas do Silício

Quem viu este filme sabe que é o começo de uma virada a Apple ultrapassar a Microsoft em valor de mercado. A Microsoft cresceu em cima de um clone do Mac OS, que era um clone de um sistema operacional desenvolvido na Xerox, para o qual os executivos não davam muita bola.

A Apple sempre foi a melhor fabricante - melhor software, melhor casamento software +hardware etc. Só que, no final dos anos 90, a empresa quase faliu, antes de contratar Steve Jobs novamente - que fora afastado do comando pelo seu próprio Conselho de Administração nos anos 80, pelo estilo despótico de gestão.

Após o retorno de Jobs, a Microsoft injetou dinheiro na Apple, adquirindo 40% de suas ações em 1997. Os produtos desenvolvidos dali em diante formaram um mercado consumidor fetichista e idólatra - a idolatria, dedicada tanto aos produtos Apple quanto ao fundador da empresa.

Por fim, 13 anos depois da "parceria" Gates-Jobs, esta grande surpresa - o atual valor de mercado da Apple. Ainda é cedo para sugerir a estabilidade deste novo cenário mas, se Bill Gates é tão competitivo como imagino, seu café devia estar parecendo mais amargo que o usual, ontem.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Dio - pequenina homenagem

Morreu nesse fim de semana Ronnie James Dio, aos 67 anos. Dele, só conhecia Gates of Babylon, uma das minhas canções preferidas. Um musicaço:



Voz agressiva, realmente poderosa, que dá personalidade à música, além dos arranjos maravilhosos.

Segundo o NTPO, ele teria criado o sinal de chifrinhos com a mão que qualquer metaleiro envelhecendo ou velho ou moleque querendo ser radical fez ou faz. Uma participação dele num troço muito legal feito pelo Jack Black, o filme Tenacious D - The pick of Destiny , o traz não tão contundente quanto em Gates of Babylon, mas também caracterizado (e característico!):




O produtor de Tenacious D, no material extra do DVD de Pick of Destiny, fala sobre a "graça"(de ser engraçado) do mojo sombrio de Dio - ou algo do tipo. É dúbio dito desta maneira; não sabemos se queria dizer se era bom ou ruim - mas o fato era que Dio era admirado, se não pela temática de suas canções, por sua voz e imagem "of darkness" (ainda que engraçada por ser um pouco ridícula).

Bons sonhos para Dio.
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atualização: André Forastieri escreveu um texto nada piegas sobre o deus ridículo do rock.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Luiz Inácio Lula da Silva - perfil traduzido da The 2010 TIME


Perfil do presidente Lula publicado na lista
The 2010 TIME 100 (clique para ler o original) das pessoas mais influentes do mundo. Lula está em primeiro lugar. O texto é de Michael Moore, tradução minha.


Quando os brasileiros elegeram Luis Inácio Lula da Silva presidente pela primeira vez, em 2002, os robber barons (grandes capitalistas monopolistas e trapaceiros) do país checaram nervosamente os tanques de combustível de seus jatinhos. Eles transformaram o Brasil num dos lugares mais desiguais da Terra, e agora parecia ser a hora do troco. Lula, 64, era um filho genuíno da classe trabalhadora da América Latina – de fato, um membro fundador do Partido dos Trabalhadores – que já fora preso por liderar uma greve.

No momento em que Lula finalmente ganhou a eleição, depois de 3 tentativas frustradas, ele era uma figura conhecida na vida nacional brasileira. Mas o que o levou para a política, em primeiro lugar? Foi sua experiência pessoal de como brasileiros têm que trabalhar duro apenas para sobreviver? Por ser forçado a deixar a escola depois da 5ª série para ajudar a família? Trabalhando como engraxate? Perdendo parte de um dedo num acidente de fábrica?

Não, foi quando, aos 25 anos, ele assistiu sua mulher Maria morrer durante o oitavo mês de sua gravidez, junto com seu bebê, porque eles não podiam pagar um tratamento médico decente.

Há uma lição aqui para os bilionários do mundo: deixem as pessoas terem bons cuidados médicos, e elas causarão muito menos problemas para vocês.

E aqui uma lição para o resto de nós: a grande ironia da presidência de Lula — ele foi eleito para um Segundo mandato em 2006 e exerce a presidência durante este ano – é que mesmo que ele tente empurrar o Brasil para o Primeiro Mundo com programas sociais governamentais como Fome Zero, arquitetado para acabar com a fome, e com planos de melhorar a educação da classe trabalhadora brasileira, os EUA se parecem cada vez mais com o Terceiro Mundo.

O que Lula quer para o Brasil é o que costumávamos chamar de o Sonho Americano. Nós, nos EUA, em contrapartida, onde os 1% mais ricos agora tem mais dinheiro que 95% do resto da população, estamos vivendo numa sociedade que rapidamente se torna mais parecida com o Brasil.

LCD X PLASMA X LED

Tive que escolher uma tv nova para a casa de meus pais há algumas semanas, e fiquei quase louco com a quantidade de modelos para escolha. Depois de pesquisar muito, optei pela LCD Samsung LN46B650 ("46" pelo tamanho, "650" pela série - 6). A escolha foi árdua - descobri diversos prós e contras de cada tecnologia de fabricação. O resumo você lê abaixo:

LCDs

1. Elas têm uma camada de cristal líquido onde se formam as imagens coloridas. Atrás dessa camada - que não emite luz - vai uma lâmpada fluorescente (backlight) do tamanho da tela, que faz com que vejamos bem suas cores e imagens.

2. Por outro lado, ter uma lâmpada sempre ligada prejudica seu contraste (diferença entre o preto e o branco na tela). Isso torna a cor preta similar a um cinza escuro nas LCDs  atuais - embora o fenômeno do contraste ruim fosse muito mais grosseiro em linhas mais antigas (série 3 da Samsung, por exemplo).

3. Só que o mesmo backlight faz com que ela desempenhe muito bem em ambientes iluminados - o preto desbotado é um pouco mais perceptível com a luz desligada.

4. Um outro problema era muito pior no passado: imagens em movimento borravam nas LCDs. As novas, com taxas de renovação de imagem de até 240 Hz (240 vezes por segundo) eliminam essa característica ou a tornam imperceptível.

5. O problema do burn in aflige muito menos as LCDs que as plasma - ponto muito positivo para LCD.

5. Sony é a melhor marca de LCD.

LED

1. LCDs é o que sÃo. Não seja enganado: a diferença entre a  LED e uma LCD comum é apenas seu BACKLIGHT DE LED, que substitui a lâmbada fluorescente. Por enquanto, não existe LED doméstica com a imagem formada por milhares de ledzinhos (há comercial).

2.Há dois tipos de backlight LED: edge-lit e local dimming. No edge-lit, os leds estão nos cantos da TV, e um espelho atrás do LCD espalha a luz emitida por eles.

O local dimming traz LEDs como backlight por toda a tela, que são acionados ou desligados em pequenos grupos. Segundo a indústria, o custo para controle individual dos leds é muito alto.

3. As imagens de um LCD com backlight led local dimming têm contraste MUITO superior às de um LCd com backlight comum - o que significa pretos profundos, similares a de uma tv de plasma. No caso do edge-lit, a melhora do contraste é perceptível, mas não gritante.

4. A espessura ridícula é um destaque: apenas 3 cm mesmo nos modelos mais baratos! Só que eles são caríssimos também.

5. LED é Samsung. As LGs tem problemas na proteção transparente da tela borderless.

6. Comparativo dos contrastes dos backlights fluorescente x led edge x led local d.

PLASMA


1. Essa tv tem minúsculas células de vidro revestidas de fósforo em três cores diferentes, com gás nobre dentro. Os fósforos emitem luz quando excitado pela radiação ultra-violeta dos gases ionizados pela corrente elétrica. Plasma são os gases ionizados.

2. Apesar de plasma estar meio fora de moda, ela tem as CORES MAIS BONITAS E NATURAIS, o MELHOR CONTRASTE e a MELHOR RESPOSTA A CENAS EM MOVIMENTO (os fabricantes falam em 600 Hz de atualização de imagens!!!). Na plasma, o preto é exibido com precisão: os pixels ficam desligados onde há ausência de cor.

2. Normalmente, são bens mais baratas que LCDs comuns e LCD-led!!!

4. Ela tem desempenho ligeiramente inferior à LCD em locais muito iluminados. No escuro, tv de plasma é insuperável para ter uma sensação "cinema-like" ao assistir um filme.

5. Plasma tem uma parte enche-saco: o período de amaciamento. Segundo os fabricantes, nas primeiras 100 horas de utilização da TV, você não deve assistir nenhum programa, jogo ou filme que exiba marcas constantes na tela (logotipos, tarjas pretas de filme não widescreen ou barras de jogo). Outros sites técnicos recomendam até 200 horas de amaciamento.

3. O LCD com backlight led local dimming tem desempenho similar à plasma na exibição de cores e tons escuros. Só que os preços da LED fodidona são 4x os da plasma. Não precia pensar muito pra saber qual tem melhor custo-benefício, né?

5. Panasonic é a melhor marca de tvs de plasma, embora Samsung e LG tenham boas TVs.

6. Já disse que ela é a mais barata, não?

Assim que der, posto uma planilha excel com campos para anotação de características das tvs e etapas para a escolha da nova tv.

Para ler mais sobre o tema, pesquise em:

CNET
HT Forum (home theater forum)
Info Exame

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Teorias da Comunicação - Conceitos, escolas e tendências - the bad thing 2

Este post é dedicado à parte ruim do livro, como já escrevi no post anterior. Sobre a parte boa, posto (bem) mais pra frente.

Teorias da Comunicação - Conceitos, escolas e tendências foi organizado por Vera Veiga França (Profa da UFMG, Luiz C. Martino (Prof da UnB) e Antonio Hohlfeldt (Prof. da PUC-RS). Todos eles são Professores Doutores em Comunicação, sendo que Vera e Luiz fizeram seu doutorado na França (Luiz tem 3 mestrados!), e Antonio, na PUC-RS.

O livro é estruturado em 2 partes: a primeira analisa a epistemologia e origens históricas do termo comunicação e da disciplina; a segunda, expõe as correntes de pensamento em comunicação, operando uma divisão essencialmente geográfica dos temas. Como só conheço as teorias da comunicação indiretamente - por meio de comentadores como o deste livro - não posso opinar se é uma escolha boa ou ruim.

O que posso dizer, com segurança, é que há um desnível abismal de qualidade entre alguns dos autores. Não seria uma tragédia se os piores capítulos não fossem de um dos organizadores - mas eles o são. Então, dedico este post ao que o livro tem de ruim – e depois, faço algo mais cuidadoso com o que tem de bom.

The bad thing

Antonio Hohlfeldt tem um lattes bonito e parece ser muito respeitado lá no sul em Porto Alegre. Seus textos dão impressão de ser um cara culto e, além disso, escreve sobre teorias da comunicação - o que é próximo celebrar uma missa com cada frase dita numa língua diferente (sociologia, ciências da linguagem, engenharia de telecomunicações, estudos culturais, psicanálise e outras).

O primeiro problema é justamente sua erudição: muitos trechos das histórias da Antiguidade Clássica, Europa medieval e moderna, brotam sem nexo com a argumentação sobre o fenômeno da comunicação midiatizada – parece que estão lá para mostrarem o quanto o autor é culto. O segundo parece ser um problema cognitivo: Antonio parte de premissas simplistas para chegar a conclusões simplórias. Às vezes, é tão confuso que nem se pode chamar seu texto de expositivo ou argumentativo ou ainda, discurso organizado.

Mas o problema mais grave de seus textos (evidência do que eu digo acima) é que há momentos em que ele parece uma criança escrevendo um trabalho de escola. Um trabalho de dezenas de páginas, é verdade, mas ainda assim, bobo. Vejamos:

“Os mais abastados e interessados passaram a financiar atividades culturais mais complexas, como a filosofia, tendo como hóspedes figuras como Sócrates ou Platão, a quem recebiam e com quem dialogavam e aprendiam.”

Como um cara que fez um pós-doc em Portugal, com bolsa da CAPES, pode escrever uma frase dessas? E ainda por cima dá a entender que Platão era financiado e não um dono de escravos e terras (este aqui é mais educado).

Enfim, por mais que eu forjasse, do vácuo, interesse pelos textos do Professor Antonio, sempre esbarrava num trecho como esse aí, até não agüentar mais e pular o capítulo. Para provar que não é birra contra o autor – que pode até ser bom professor – vai aí mais um trecho do texto, agora sobre a alegoria da caverna, no capítulo “As origens antigas: a comunicação e as civilizações”:

“Não obstante essa teoria, Platão foi um filósofo, fez discípulos (inclusive Aristóteles) e intuiu, quem sabe, a primeira sala de projeção cinematográfica da qual se tem notícia.”

Ainda explica confusamente esta gracinha constrangedora:

“Basta você visualizar a situação proposta por ele para entender o que quero dizer: os homens agrilhoados no fundo da caverna seriam os espectadores no interior da sala; a projeção das sombras, a partir da boca da caverna, produzidas por fora da luz que incide sobre elas, é o próprio princípio da iluminação projetada sobre o celulóide transparente que, graças ao jogo de lentes e ampliadores, projeta as imagens sobre a tela branca (...)”

Será que os alunos são burros e não conseguem imaginar as sombras só com uma explicação sóbria da alegoria, que é bonita e significativa por si? “Ah, mas cinema é comunicação – tem tudo a ver, meu!”

Eu poderia dar diversos exemplos (o primeiro texto do autor no livro começa com uma generalização bem medíocre), mas já perdi meu tempo aqui, para que você não perca seu tempo com os textos de Antonio Hohlfeldt do livro Teorias da Comunicação da Ed. Vozes.