quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Ambientalismo no Brasil – o passado

Peguei um livrinho, editado em 1997 que se chama “Ambientalismo no Brasil – Passado, presente e futuro” como parte da pesquisa de meu TCC . Os trechos que cito abaixo são todos deste livro.

 Ele traz exposições e debates ocorridos num seminário de 1996, organizado pela Secretaria do Meio Ambiente do estado de São Paulo (comandada por Fábio Feldmann na época) e pelo Instituto Socioambiental (com financiamento do FINEP).

No livro, há informações surpreendentes, como o fato do ambientalismo ser velho velho e não ter nascido nos países industrializados, mas sim na periferia global (colônias). Na Índia, a preocupação ambiental surgiu entre funcionários da Companhia das Índias, que temiam pela escassez dos recursos que exploravam na colônia inglesa. Um relatório de 1864 da East India Company já estabelecia relações de causa e conseqüência entre desflorestamento, erosão do solo e mudanças climáticas locais. O sentido da preocupação com a “sustentabilidade” era de explorar com mais longevidade.

No Brasil, num sentido oposto, a preocupação ambiental surgiu entre os críticos do sistema colonial. José Bonifácio, em 1823, articulava o seguinte raciocínio apocalíptico (que, segundo o professor da UFRJ José Agusto Pádua, não se via em nenhum lugar do mundo àquela época):

“(...) Nossos montes vão se escalvando diariamente e, com o andar do tempo, faltarão as chuvas fecundantes que favorecem a vegetação e alimentam nossas fontes e rios, sem o que nosso belo Brasil, em menos de dois séculos, ficará reduzido aos desertos da Líbia e virá então esse dia terrível e fatal em que a ultrajada Natureza se ache vingada de tantos erros e crimes cometidos.”

Joaquim Nabuco (o monarquista abolicionista) escreveu sobre esgotamento da fertilidade dos solos do Rio de Janeiro em 1883. Euclides da Cunha foi um opositor da monocultura e da mineração que retalhava e degradava a terra.

Por fim, o inspirador de diversas instituições e órgãos de Estado posteriores: Alberto TorresNa segunda década do século XX, ele já dizia coisas como “Não tendo apreendido a feição orgânica do progresso [nós, brasileiros], nos encanta a ilusão de que a forma atual do desenvolvimento dos países mais adiantados representa o estado superior da evolução humana. O interesse humano não está, entretanto, na perpetuação dos costumes que fizeram do homem um esbanjador aventureiro das riquezas naturais da terra; não está em anular o homem e estragar a terra, transformando esta em deserto e fazendo daquele um parasita mais ou menos polido e rico, que não deixa para gerações futuras senão exemplos de cobiça e ociosidade.

Incrível para algo tão velho, não?

Em 1932, alguns de seus seguidores criaram a Sociedade de Amigos de Alberto Torres, que chegou a ter 1000 escritórios em todo o Brasil. Em 1934, o governo Vargas criou o Código de Águas após discussões e muitas sugestões de membros da Sociedade. O código “permitiu a dissociação entre o enorme conjunto de recursos naturais existentes no País e as forças de livre mercado” - tornou água propriedade da União e dos estados. O expositor desta parte do livro, o professor da UnB José Augusto L. Drummond, alerta sobre os que defendem mudanças da legislação mineral e de águas, concessões: é “exatamente no sentido de privatizá-los, dando mais liberdade às forças do mercado para explorá-los”.

Uma curiosidade final: o rodízio veicular, em São Paulo, foi implantado na gestão de Feldmann para melhorar a qualidade do ar. Sem querer, descobriram que diminuía o trânsito, também.


El niño de Honduras e o Brasil nos trilhos (internacionais)

...para amanhã, um post sobre a história do ambientalismo no Brasil. Por enquanto, um clipe de um moleque de 10 anos impressionante, discursando contra o golpe de Micheletti em Honduras e inflamando o povo:



Leia também meu amigo Tadeu sobre o golpe em Honduras. É um panorama com causas e consequências  do golpe e da ação brasileira - bom para quem anda perdido com a metralhadora midiática paulista  (apontada para o presidente Lula) e de adjacências políticas.

The Indepent, um dos jornais do Reino Unido de maior prestígio global (junto com o The Observer), publicou um texto em 27 de setemebro sobre a candidatura do Rio de Janeiro às Olimpíadas, onde diz que o Brasil finalmente está sendo concretizado - como promessa de grande país que sempre foi. O título?



The rise and rise of Brazil: Faster, stronger, higher (clique para ler o artigo).



Ele usa o gancho das Olimpíadas para falar sobre o aumento da influência da política externa do Brasil, das descobertas da Petrobrás e de Manuel Zelaya na embaixada brasileira.

Há trechos bizarros, como este aqui, falando sobre o dinheiro do pré-sal:
Lula is making plans to use the new money to correct the abuses that stemmed from the Western-supported military coup of 1964, and the subsequent years of savage repression and torture, which ground down his own living standards and those of millions of other poor Brazilians. Brazil is also a massive food exporter – comforting when famine stalks many other places.

De onde o repórter tirou isso? Não era para a ciência e para a educação?

Bom, mas o artigo passa uma impressão positiva do governo, como a maior parte da cobertura internacional (em língua inglesa) sobre o Brasil no momento. A mesma coisa da imprensa-cão de guarda de São Paulo.

E a última: Lula sancionou a não-censura do debate político na internet e a impressão do comprovante de voto a partir da eleição de 2014!

--------------------
atualização

O nome do niño é Oscar David Montecinos.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Beethoven melancólico, solene e imponente

"Ludwig deixou a escola com apenas 11 anos e aos 13, já ajudava no sustento da casa, trabalhando como organista, cravista, músico de orquestra e professor. Era um adolescente introspectivo, tímido e melancólico, freqüentemente imerso em devaneios."

Este trecho foi retirado daqui, UOL educação (fonte mais confiável que a wikipedia, teoricamente). A biografia é didática e interessante para alguém (como eu) que só ouve música sem saber muito sobre a vida pessoal de quem produziu e viveu dela.

Como preciso dormir cedo, vou postar apenas um vídeo com um trecho de uma sinfonia de Beethoven que gosto muito. Obviamente, não é a Nona - não chatearia o sistema cognitivo daish visita com um padrão que está em todo lugar. 

Segundo violoncelista de rua com quem conversei na av. Paulista há alguns anos atrás, este é o movimento mais bonito que Beethoven escreveu (de todas as sinfonias que compôs). Eu também achava isso, mas ouvi com mais atenção a nona e a quinta e tenho dúvidas se dá para escolher "o melhor de Beethoven". Quando eu estiver mais velho, quem sabe?

Ouça (e veja a execução) o segundo movimento -  Allegretto - da Sinfonia no. 7 em Lá maior, de Ludwig Van Beethoven, regida pelo maestro Herbert von Karajan (um dos maiores do pós-segunda guerra mundial):


sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Romeu e julieta, de Sergei Prokofiev

"Minha mãe teve que me explicar que alguém não poderia compor uma rapsódia de Liszt porque era uma peça que Liszt compusera. Além disso, alguém não poderia escrever música em 9 linhas sem barras, porque música era, de fato, escrita em 5 linhas com barras. Tudo isso levou mamãe a me dar uma explicação mais sistemática dos princípios da notação musical"
(Sergei Prokofiev lembrando de sua primeira composição musical, 
"Rapsódia Lisztiana", que escreveu quando tinha 5 anos)


Romeu e Julieta, balé inspirado na obra de Shakespeare. 


Toca a primeira camada de sopro.


Ela é melodicamente invariável  - acho que um uníssono de oitava em fá -; outras camadas se sobrepõem com o mesmo comportamento e consecutivas. A intensidade do som aumenta progressivamente... até os sons furiosos explodirem com a percussão.


Após, o sopro junta-se cadenciando as cordas de arranjos modernos. No começo, você vai aumentar o volume do som para ouvir direito, mas correrá para abaixar em seguida :) - e aumentará de novo, porque é tudo muito bonito.


Prepare-se para o primeiro movimento:



O segundo vídeo começa no sexto movimento, e contém o resto da peça:




Ele nasceu na Rússia, como Stravinsky, Rimsky-Korsakov e dezenas de outros compositores. Estou descobrindo Prokofiev aos poucos; as únicas peças que conhecia eram esta (Romeu e Julieta) e Pedro e o Lobo, mas ouvi na Rádio Cultura FM de São Paulo ontem, dia 25 de setembro, algo muito interessante dele - obviamente não lembrarei o nome da sinfonia.

AH! Acho que lembrei. Talvez seja esta aqui - lembra um pouco Stravinsky, mas é bem mais melódico.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Presidente Lula, o cara aqui e lá fora

"Aish visita" desse blog tão sabendo que o Presidente Lula discursou na sede das Nações Unidas nesta quarta-feira, 23/09/2009), né?





Na Newsweek, há uma reportagem de 22 de setembro sobre o Presidente, intitulada "The Most Popular Politician on Earth". Ela traz parte de sua história pessoal e política e é entremeada por entrevistas de falas de companheiros de Lula. O subtítulo da matéria diz que "ele fez um trabalho espetacular como presidente do Brasil até agora".


Um dos trechos interessantes é a história que conta James Wolfensohn, presidente do Banco Mundial à época da posse do primeiro mandato. A tradução vai abaixo - perdi uma ou outra palavra:


"International money men still weren't sure. "We knew he'd been a union leader and the president of a political party. What I really wondered was if he had the guns to be president," says former World Bank president James Wolfensohn. So Wolfensohn sent out a feeler, offering to dispatch a team of experts to brief Lula's government on the key issues facing the international economy and Latin America. He didn't know how the new president would respond. "A lot of leaders throw the presidential seal at you," says Wolfensohn. "But Lula lapped it up. He was like a piece of blotting paper. He realized he had a major job to do and that running an election was different from running a country. For me, it characterized the man."


"Os homens das finanças internacionais ainda não tinha certeza. “Nós sabíamos que ele fora um líder sindical e presidente de um partido político. O que eu realmente duvidava é se ele tinha as armas para ser presidente”, diz o presidente do Banco Mundial no período, James Wolfensohn. Então Wolfensohn fez uma sondagem, oferecendo despachar um time de especialistas para questionar o governo Lula sobre assuntos chave que afetavam a economia internacional e a América Latina. Ele não sabia como o novo presidente ia responder. “muitos líderes jogam o selo presidencial em você”, diz Wolfensohn. “Mas Lula recebeu entusiasticamente. Ele era como uma peça de papel borrado (q q isso?). Ele percebeu que tinha um trabalho fundamental para fazer e que dirigir uma eleição era diferente de dirigir um país. Para mim, isso caracterizou o homem.” 

Para ler a matéria completa, clique aqui.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Jogo do Poder com Ciro Gomes (3 de 5) - 09/09/2009

Uma entrevista muito interessante com Ciro Gomes, conduzida por Alon Feuerwerker no programa O Jogo do Poder (CNT) - embora quem tenha conduzido mesmo tenha sido o próprio Ciro, ;).


O deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE) quer ser candidato à presidência e fala da história da recente democracia brasileira, passando pelas privatizações do governo FHC, a mídia contra Sarney, fisiologismos e outros acontecimentos. Também interpreta a conjuntura política atual - com os erros e acertos de seus companheiros e adversários - e promete que assumirá mais riscos que Lula para fazer as reformas institucionais necessárias ao país.

É legal ver ele debochando dos jornalistas a serviço de Serra e falando a respeito da absurda boa aprovação que o governo do PSDB tem em São Paulo - para o qual ele dedica algum tempo a demonstrar os erros administrativos. Também é da hora ele dizer, enfaticamente, que o PSDB de São Paulo significaria o retrocesso na presidência do país.

Esta é a terceira parte - clique em cima do video para ir ao youtube e ver os outros!

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Prokofiev e sua peça infantil Pedro e o lobo

Sergei Prokofiev é um compositor russo de música erudita da primeira metade do século XX. Ele é muito conhecido pela sinfonia infantil Pedro e lobo - no youtube, há o vídeo do desenho antigo da Disney, bem didático na apresentação dos instrumentos e dos temas musicais de cada personagem:



A abordagem didática, de apresentação dos instrumentos, era algo previsto já na encomenda da peçaEsse desenho curtinho (curta-metragem de animação) data de 1946, do filme Make Mine Music! 

Também há um lindo stop motion, bem recente, com a sinfonia Pedro e o Lobo. É bom assisti-lo depois de ver o anterior:




Tanto o antigo desenho como este são obras primas dos campos que exploraram (animação musical?), sendo o desenho da disney um infantil "cândido", mais fofo e o stop motion, um infantil mais "realista" e sombrio. Em 2007, o último ganhou o Oscar de melhor curta-metragem de animação.

Aqui você encontra uma biografia do compositor Sergei Prokofiev (wikipedia).

Aqui, a parte 2 do desenho e as partes dois, três e quatro do stop motion escrito e dirigido por Hugh Welchman.

domingo, 20 de setembro de 2009

A segunda via do R.G

Há 5 anos que uso a CNH quando preciso mostrar o número do RG. Eu não precisei do RG original até segunda-feira passada, quando fui comprar um chip nextel com procuração asssinada pelo meu pai. 

Lá, descobri que a carteira de habilitação não tem o dígito final do doc de identidade, o que fez o vendedor suspeitar da minha idoneidade, e fui embora com uma cara de m-.

Eu sabia que cedo ou tarde precisaria do RG original; então, durante a noite, verifiquei no site do Poupatempo os documentos necessários para pedir a segunda via. Lá pedem para levar a certidão de nascimento original e seu xerox, mas não precisei da minha para dar entrada no pedido (fui ao Poupatempo próximo da Luz, a um quarteirão da Sta. Efigênia).

O que usei realmente - e recomendo que vocês levem, caso desejem renovar seu RG:

- 1 foto 3x4 recente;
-CPF original
-CNH original
-R$ 23,80.

Depois, você fica na fila 1h40 até ser atendido, e volta no outro dia para pegar. Fácil, simples e demorado. E ainda aperta botõezinhos com carinhas  - acho que eram quatro: muito feliz, feliz, mais ou menos e de saco cheio - para responder à pesquisa de satisfação do Poupatempo ao final do atendimento!

Para chegar ao Poupatempo Luz:


Exibir mapa ampliado

Paranormal Activity!

Pelo trailer, parece um filme que impressiona. Veja a reação do público numa prévia:





Para que ele venha rapidamente ao Brasil, deve-se clicar em Demand it! no site do filme:
http://www.paranormalactivity-movie.com/

Depois, preencher o formulário e, com boa sorte, se borrar no cinema!

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Sangrando o coração da humanidade

Of Simplemindeds, for simpleminds.

Eu gosto de metal e de muitas outras coisas. Eu não sou metaleiro, eu realmente gosto de música - e isso me motivou a escrever este post.

Vocês já ouviram falar de Northern Kings? Pois bem, publicidade gratuita para eles. Eles merecem: quando uma banda faz coisas tão ridículas com músicas de outros, ela se torna digna de menção!

Saca só a versão para Kiss from a rose, a bela canção de Seal:



É deplorável e deprimente, de tão simplório e sem imaginação. Cheio de lugares comuns do metal, usados da forma mais estúpida possível, com ritmo articulado pobremente. Se você tentar falar mal no youtube (nos comentários), vai ser bloqueado - eu o fui rapidamente!

Pra terminar, mais uma versão vexaminosa de uma boa canção - Wanted dead or alive, grande sucesso do Bon Jovi: